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Caso Nisman: homem que emprestou arma a promotor é proibido de sair do país

Promotora afirma que foram feitas várias tentativas de localizar Diego Lagomarsino, que teria entrado em contato com a investigadora depois de saber da decisão

Por Da Redação - 23 jan 2015, 18h40

A promotora Viviana Fein, responsável pela investigação da morte de Alberto Nisman, proibiu de sair da Argentina o homem que entregou ao procurador a arma da qual saiu o tiro que o matou. Diego Lagomarsino era um funcionário de confiança de Nisman e foi o último a vê-lo com vida.

Segundo comunicado divulgado nesta sexta-feira, a promotora apresentou uma solicitação e a juíza ordenou a restrição de saída do país, “depois de reiteradas tentativas de localizá-lo”. A juíza em questão é Fabiana Palmaghini, que também cuida do caso.

Em mais um dos pontos intrincados sobre a morte do promotor, pouco depois da divulgação do comunicado, a testemunha entrou em contato com a promotora e disse que estava na casa de um amigo e que se colocava “à disposição da Justiça”, informou o Clarín.

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O jornal afirmou também que o funcionário apresentou por escrito uma solicitação para fazer uma viagem de férias. O pedido não foi respondido. A promotora estava avaliando chamá-lo para interrogatório.

Lagomarsino tem 35 anos, é casado e pai de duas filhas. Especialista em informática, ele teria sido contratado pela promotoria de Nisman em 2007. Seu salário chegava a 40.000 pesos por mês (12.000 reais) por um contrato de prestação de serviços, valor que chama a atenção por ser considerado alto, de acordo com a imprensa argentina.

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No último sábado, ele foi ao apartamento de Nisman para entregar uma arma calibre 22 da qual saiu o tiro que matou o promotor, segundo a perícia. O corpo de Nisman foi encontrado no apartamento no início da madrugada de segunda-feira, com um tiro no rosto.

Na segunda-feira, o especialista em informática apresentou-se espontaneamente para prestar esclarecimentos e disse à promotora e à juíza que Nisman havia sido alertado por um ex-diretor da Secretaria de Inteligência para que cuidasse de sua segurança pessoal e a de sua família. É bom lembrar que dez policiais trabalhavam na segurança do promotor.

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A morte de Nisman ocorreu dias depois de ele apresentar uma grave denúncia contra a presidente Cristina Kirchner e vários aliados, segundo a qual o governo trabalhou para encobrir o envolvimento de iranianos no atentado terrorista contra o centro judaico Amia, em 1994, que deixou 85 mortos.

No comunicado divulgado nesta sexta, Viviana Fein desmentiu que o homem que foi o último a ver Nisman com vida estaria sob a proteção de quinze polícias em um hotel. “Nem ela [Viviana] nem a juíza destinaram policiais para proteger Diego Lagomarsino”, afirma o texto. “A ministra da Segurança informou que nenhum das forças federais tem sob sua responsabilidade medidas de proteção de alguma índole. O chefe da Polícia Metropolitana confirmou que essa força também não ordenou proteção a Lagomarsino”.

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