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Caso Nisman: “Argentina fica mais escura”, diz deputado opositor

Depois da morte do procurador-geral que fez a mais grave denúncia contra o kirchenerismo, governo argentino entra uma crise de proporções imprevisíveis

Por Diego Braga Norte 25 jan 2015, 07h45

“Em mais de uma década no poder, é o momento político mais grave para o kirchenerismo”, diz o analista político Rosendo Fraga

A morte do procurador Alberto Nisman poucos dias depois de apresentar uma grave denúncia contra a presidente Cristina Kirchner e vários apoiadores tornou a Argentina “mais complexa e mais escura”. A avaliação é do deputado Francisco de Narváez, da coligação oposicionista Unión Celeste y Blanco (UCB). “Há outra Argentina a partir deste acontecimento, mais complexa e mais escura. A morte do procurador-geral Alberto Nisman está diretamente relacionada com a acusação grave feita com base em todas as informações que ele tinha apurado em seu papel de promotor”, disse ao site de VEJA.

Para ele, a morte representa “uma página da história argentina que foi virada no sentido contrário”, uma referência aos mais de dez anos de investigação de Nisman sobre o atentado contra a Associação Mutual Israelita Argentina (Amia), que deixou 85 mortos. O ataque ocorreu em 1994 e o promotor assumiu o caso dez anos depois. Na última semana, ele acusou a presidente, o chanceler Hector Timerman e outros dirigentes de acobertar a participação do Irã no atentado.

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“A morte de Nisman coloca a Argentina diante de uma crise política com consequências imprevisíveis”, afirma Rosendo Fraga, analista político argentino. “Há poucos dias atrás houve uma ordem da presidente para o chanceler não participar da marcha em Paris para protestar contra o terrorismo, criando uma crise na política externa; dois dias depois, Nisman denunciou uma conspiração liderada pela própria Cristina para encobrir o passivo do Irã no ataque contra a Amia; e, por fim, a morte do denunciante. Houve uma extrema escalada na crise”, opina Fraga, para quem o governo não soube reagir de maneira correta aos acontecimentos.

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Desde que a denúncia se tornou pública, no dia 14, o kirchenerismo, “coerente com sua característica”, como observa o analista, mostrou surpresa e depois passou a questionar a acusação e desqualificar o procurador. Para ele, desde o início da crise, o governo não deu respostas convincentes à população argentina e agora fecha-se para tentar destruir o trabalho de Nisman.

“Nesta situação, devemos colaborar e cooperar e, para Cristina Kirchner, devido ao cargo que ocupa, é obrigação fazer isso. No entanto, a presidente fica dando opiniões, induzindo ou afirmando diretamente qual é sua posição. E isso é determinante, ela está atrapalhando a independência do poder judicial”, critica o deputado Narvaéz. O opositor também lamenta que a presidente esteja usando as redes sociais para se comunicar com a sociedade em vez de fazer um pronunciamento oficial em cadeia nacional ou convocar a imprensa para uma declaração.

“Em mais de uma década no poder, é o momento político mais grave para o kirchenerismo”, afirmou Fraga, eximindo-se de fazer qualquer previsão diante de um cenário político tão frágil e conturbado.

A imprevisibilidade política e institucional ganha contornos mais dramáticos se adicionarmos à complicada equação argentina outras variáveis. O país está vivendo uma grave crise econômica, com inflação acima de 40% ao ano, fuga de investidores, moeda depreciada e o poder de consumo da população virando pó. Nas ruas, greves e protestos são frequentes, com ocorrências eventuais de manifestações violentas e saques. Na imprensa local, avolumam-se os escândalos de corrupção, cada vez mais próximos da Casa Rosada, como os processos contra o vice-presidente Amado Boudou e as novas informações sobre os ativos da família Kirchner no exterior.

A Argentina tem eleição presidencial marcada para 27 de outubro. Impedida de se reeleger, Cristina não terá seu nome nas cédulas, e do jeito que caminha seu governo, se ela conseguir se equilibrar no cargo até as eleições, já vai ser uma vitória.

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