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‘Carlos Chacal’ condenado à prisão perpétua na França

O venezuelano Ilich Ramírez Sánchez, conhecido como “Carlos, o Chacal”, foi condenado nesta quinta-feira por um tribunal especial de Paris à prisão perpétua, por quatro atentados cometidos na França nos anos 80, que deixaram 11 mortos e 150 feridos.

O tribunal atribuiu a Carlos, 62 anos, a pena exata solicitada pela promotoria, que incluiu 18 anos de prisão obrigatória diante de uma eventual remissão.

A advogada Isabelle Coutant-Peyre, que defendeu “Carlos”, já anunciou que vai apelar da decisão: “é um escândalo, não houve progressos na independência da Justiça” francesa desde o regime colaboracionista de Vichy.

O tribunal especial também condenou à prisão perpétua dois colaboradores de “Carlos”: o alemão Johannes Weinrich, ex-braço direito do venezuelano, que já cumpre perpétua na Alemanha por atentado cometido em 1983, e o palestino Ali Kamal Al Issawi, foragido.

A alemã Christa Frohlich, também julgada pelos quatro atentados, foi absolvida.

Segundo a promotoria, os quatro atentados realizados na França no início dos anos 80 visavam à libertação da companheira de “Carlos”, a alemã Magdalena Kopp, e do suíço Bruno Breguet, ambos membros do grupo terrorista do venezuelano, detidos em Paris em fevereiro de 1982.

Os ataques ocorreram em 29 de março de 1982, com uma bomba no trem Paris-Toulouse; em 22 de abril, com a explosão de um carro-bomba na rua Marbeuf em Paris; em 31 de dezembro de 1983, com outra bomba na estação Saint-Charles de Marselha, e finalmente contra o trem Marselha-Paris.

Ilich Ramirez já cumpre prisão perpétua, desde 1997, pelo assasinato de dois policiais franceses e de um informante.

Durante o último julgamento, o governo venezuelano deu apoio legal, diplomático e logístico a Ilich Ramírez, e o presidente Hugo Chávez afirmou que “Carlos” foi um “digno continuador das grandes lutas pelos povos”.

Figura emblemática da luta armada pró-palestina na Europa nos anos 80, Ilich Ramírez Sánchez nasceu em Caracas, no dia 12 de outubro de 1949, e desde jovem militou no Partido Comunista da Venezuela.

Estudou na Cidade do México, Kingston, Bogotá, Miami, Londres e Moscou, onde cursou física e química na Universidade Patrice Lumumba, viveiro da KGB, onde fez suas primeiras amizades palestinas.

No início de 1971 e após passar por um campo de treinamento na Jordânia, Ilich Ramírez se uniu à Frente para a Libertação da Palestina (FPLP), dirigida por George Habache, onde adotou o codinome “Carlos”. O apelido “Chacal” foi dado pelo jornal britânico The Guardian.

Carlos ficou conhecido mundialmente por dirigir operações espetaculares e arriscadas na Europa, como a tentativa de assassinar o diretor da rede britânica de lojas Marks and Spencer, em 1973, a tomada de reféns na embaixada francesa em Haia, em 1974, ou o fracassado ataque com mísseis ao aeroporto parisiense de Orly, em 1975.

No dia 21 de dezembro de 1975, Carlos liderou o sequestro de 11 ministros da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), em Viena, que terminou com três mortes. Segundo o próprio terrorista, a ação foi encomendada pelo dirigente líbio Muamar Kadhafi.

Em 1976, “Carlos” abandonou a FPLP e passou a colaborar com o grupo alemão Baader Meinhof, ao qual pertencia Magdalena Kopp.

Após fugir da Europa, Carlos viveu na Síria entre 1987 e 1991, “protegido pelo regime de Damasco”, segundo a promotoria francesa, e de lá seguiu para Cartum, onde foi detido no dia 14 de agosto de 1994 por agentes franceses, em um episódio chamado de “sequestro” pelo venezuelano.