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Cardeal britânico renuncia e não participará de conclave

Keith O'Brien, de 74 anos, é acusado de conduta imprópria. Em outro desdobramento da sucessão, ex-procurador do Vaticano diz que cardeais ligados a casos de pedofilia devem ajudar a escolher o novo papa

O cardeal católico Keith O’Brien anunciou nesta segunda-feira sua renúncia como arcebispo de St. Andrews e Edimburgo após ter sido acusado de “comportamento inadequado” contra outros religiosos na década de 80, informou a rede britânica BBC. O’Brien, de 74 anos, era o membro mais velho da Igreja Católica na Grã-Bretanha e seria o único representante britânico no conclave para escolher o novo papa após a renúncia de Bento XVI.

O anúncio da saída do cardeal ocorreu depois do vazamento da informação no domingo de que três sacerdotes e um ex-sacerdote se queixaram diante do pontificado da “conduta imprópria” de O’Brien. A renúncia, segundo O’Brien, foi aceita por Bento XVI. Em pronunciamento, ele pediu desculpas “a todos que tenha ofendido”.

Conclave – Em outro desdobramento do conclave que será realizado em março, Charles Scicluna, ex-procurador contra a pedofilia do Vaticano, afirmou, em entrevista publicada nesta segunda-feira pelo jornal La Stampa, que os cardeais suspeitos de acobertar atos de pedofilia cometidos por padres têm o direito e o dever de participar da escolha do próximo papa. Para Scicluna, esses homens, que se calaram “por medo do escândalo”, têm, segundo as regras canônicas, “o direito e o dever de participar do conclave”.

“Deus saberá colocar em sua boca as palavras que saem de um coração humilhado. A sabedoria não é apenas acessível aos santos, mas também aos pecadores”, disse Scicluna, responsável pelas medidas contra a pedofilia durante o pontificado de Joseph Ratzinger. “O autêntico escândalo é não ter denunciado os abusos. Mas a percepção mudou. O silêncio se transformou em escândalo. E o mérito é de Ratzinger. Vamos fazê-los entrar no conclave. Deus saberá utilizar da melhor maneira possível sua presença. Aquele que está livre de pecado que atire a primeira pedra”, completou.

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Em países como Estados Unidos, Bélgica e Irlanda, os católicos e as associações de vítimas estão pressionando as igrejas nacionais para que estes cardeais não participem da eleição do novo papa. Esse é o caso, entre outros, do cardeal de Los Angeles Roger Mahony, destituído de suas funções no mês passado por ter protegido padres acusados de abusos sexuais. Também estão na mira o ex-arcebispo da Filadélfia Justin Francis Rigali, o cardeal belga Godfried Danneels e o cardeal irlandês Sean Brady, entre outros.

O americano Greg Burke, assessor de comunicação da Secretaria de Estado do Vaticano, disse ao Il Messaggero que os meios de comunicação tentam influenciar o próximo conclave e que “alguns podem ser odiosos”. O Vaticano também criticou no sábado em um comunicado as denúncias da imprensa italiana sobre escândalos financeiros e sexuais dentro da Cúria Romana e lamentou “a difusão de notícias, geralmente não verificadas ou não verificáveis, inclusive falsas”, para influenciar a eleição do novo papa.

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Vatileaks – O papa Bento XVI recebeu nesta segunda-feira no Vaticano os três cardeais que investigaram o escândalo Vatileaks, o espanhol Julian Herranz, o italiano Salvatore De Giorgi e o eslovaco Jozef Tomko. Os três formaram a Comissão Cardenalícia criada por Bento XVI para esclarecer o roubo e o vazamento de documentos pessoais enviados ao papa e do Vaticano, que levaram à detenção e condenação por roubo do seu ex-mordomo, Paolo Gabriele. Os três cardeais interrogaram desde abril do ano passado cerca de trinta pessoas e entregaram ao papa dois relatórios sobre suas investigações, um em julho e outro em dezembro do ano passado.

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Fontes do Vaticano disseram nesta segunda à agência EFE que Bento XVI passará os dois relatórios, cujo conteúdo se desconhece, ao próximo pontífice, e que a documentação não ficará arquivada, como geralmente ocorre após a morte ou renúncia de um papa.

Apesar disso, os relatórios continuarão confidenciais. “O santo padre decidiu que os fatos desta investigação, conteúdo que é conhecido apenas por ele, estarão disponíveis exclusivamente para o novo pontífice”, informou o Vaticano em um comunicado nesta segunda-feira.

(Com agências France-Presse e EFE)