Cardeais participam da última reunião antes de conclave

Votação deve reunir 115 cardeais eleitores e ocorrer sob juramento de silêncio

Por Da Redação - 11 mar 2013, 09h44

Os cardeais da Igreja Católica que estão reunidos em Roma realizaram, na manhã desta segunda-feira, a última reunião pré-conclave, para discutir a sucessão do papa Bento XVI. Depois de uma semana de discussões no Vaticano, foi a última oportunidade que a hierarquia da Igreja teve de se reunir antes do conclave, que começará na terça-feira.

O período de preparação para o conclave foi ocupado com discussões dos cardeais sobre os problemas que atingem a Igreja na atualidade, entre eles escândalos de chantagem e irregularidades contábeis no Banco do Vaticano. Acredita-se que essas discussões ajudaram a delinear o perfil do novo papa que terá de lidar com essas e outras questões delicadas e prioritárias para a Igreja, o que levaria a uma eleição com resultado rápido.

Amanhã, os cardeais, provenientes de 51 países, se fecharão na Capela Sistina para eleger em segredo o novo pontífice. Quatro votações deverão ocorrer a partir do segundo dia até que algum nome alcance maioria de dois terços, equivalente a 77 votos este ano.

Os conclaves do último século duraram no máximo quatro dias, já que o ritmo de quatro votações por dia acelera o processo para identificar o favorito, segundo o porta-voz do Vaticano, o jesuíta Federico Lombardi. Se um papa não é eleito em dois ou três dias, significa que os cardeais estão seriamente divididos e podem ter que recorrer a um candidato azarão para encontrar consenso.

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Rito e silêncio – O solene rito da eleição será realizado na imponente Capela Sistina, um dos monumentos mais visitados do mundo, de onde sairá a famosa fumaça branca que anuncia ao mundo a eleição do papa. A terça-feira começará com a grande missa “Pro eligendo Romano Pontifice” na Basílica de São Pedro. Durante a tarde, os cardeais eleitores irão da Capela Paulina à Capela Sistina, cantando e orando para que o Espírito Santo os ilumine.

Já na Capela Sistina, depois de terem jurado manter silêncio sob pena de excomunhão, o mestre de cerimônias pronunciará o “Extra omnes!” (“Fora todos”), ordenando que aqueles que não tiverem ligação com a eleição saiam da sala. Os “príncipes da Igreja” não poderão se comunicar com o exterior, ficarão sem telefone ou computadores, e também não poderão enviar mensagens eletrônicas ou alimentar suas contas nas redes sociais.

O último ato do conclave é a pergunta que três cardeais fazem ao eleito: “Aceita sua eleição como Sumo Pontífice?”. Após a resposta afirmativa, segue outra pergunta, “Quo nomine vis vocari?” (“Como quer ser chamado?”).

Depois de ser parabenizado pelos cardeais, o sucessor do papa alemão, que poderá escolher livremente seu nome, se dirigirá a uma pequena sala contígua onde o esperam três hábitos papais (de tamanhos pequeno, médio e grande) para se vestir. Costuma ser chamada de “Sala das Lágrimas”, já que parece que todos os eleitos, sem exceção, choram ali em relativa intimidade diante da magnitude da responsabilidade que acabam de assumir.

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Em seguida, o novo papa vai à sacada da Basílica de São Pedro, depois que o protodiácono pronunciar o famoso “Habemus papam!”, e é apresentado à multidão reunida na Praça de São Pedro e ao mundo através das câmeras de televisão de diversos países que seguem ao vivo o evento.

Missa – Neste domingo, vários cardeais celebraram, em Roma, a última missa antes do conclave. Um dos religiosos que teve destaque foi o brasileiro dom Odilo Scherer.

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Candidatos – Sem um favorito claro, a lista de papáveis inclui europeus, italianos, sul-americanos, africanos e um filipino. Dos 115 “príncipes da Igreja” com direito a voto por terem menos de 80 anos, 60 são europeus (28 italianos), 19 latino-americanos, 14 norte-americanos, 11 africanos, 10 asiáticos e um australiano.

A lista de favoritos inclui o brasileiro Odilo Scherer, de 63 anos, arcebispo de São Paulo, a maior diocese da América Latina, considerado um conservador moderado com muito carisma, o que contaria com o apoio da Cúria Romana.

Também é apontado como forte candidato o italiano Angelo Scola, arcebispo de Milão de 71 anos, ex-patriarca de Veneza, teólogo reconhecido, disposto a varrer todos os males e intrigas que atingem o governo central.

Outro papabile é o canadense Marc Ouellet, ex-arcebispo de Quebec de 68 anos, conhecido por seu rigor ao liderar uma das dioceses mais laicas de seu país, que preside a Pontifícia Comissão para a América Latina e é apreciado pelos países do sul, sobretudo pelos latino-americanos, onde residiu e conhece bem o idioma.

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(Com agências Reuters e France Presse)

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