Clique e Assine por apenas R$ 0,50/dia

Candidatos utilizam canções populares para obter apoio nos EUA

Por Da Redação 10 jan 2012, 08h07

María Peña

Manchester (EUA), 10 jan (EFE).- A campanha eleitoral de 2012, que ainda dá os primeiros passos com o início das primárias em New Hampshire, já gerou controvérsia fora dos cenários dos debates com o uso de canções conhecidas que propõem sexo ou abordam questões existenciais.

Desde a vitória de George Washington em 1789, os candidatos presidenciais nos Estados Unidos recorrem à música para incrementar suas campanhas e dar o tom de sua plataforma política, criando verdadeiras trilhas sonoras para suas campanhas.

Em 2008, em sua segunda e fracassada tentativa de conseguir a candidatura presidencial republicana, a campanha do senador John McCain usou canções como ‘Take a Chance on Me’, do grupo Abba, e o exemplo do filme ‘Rocky’, na qual o boxeador interpretado por Sylvester Stallone triunfa.

Nesse mesmo ano, em sua primeira incursão rumo à Casa Branca, o ex-governador de Massachusetts, Mitt Romney, escolheu uma versão moderna do tema ‘A Little Less Conversation’ de Elvis Presley, para se apresentar como um homem de ação.

Em 2012, lançou mão de Kid Rock, o artista cabeludo que assim como Romney nasceu em Michigan. O músico, que se descreve como um autêntico ‘redneck’ (‘caipira’ americano), é conhecido por sua pegajosa fusão de rap e rock com certa dose de música ‘country’.

Seu ritmado tema de 2010 ‘Born Free’, sobre um homem que se lança ao desconhecido sem medo e luta para sobreviver, soa a todo volume nos alto-falantes colocados nos eventos realizados por Romney.

Continua após a publicidade

‘Não quero que ninguém chore, mas se eu não sobreviver, diga que nasci livre… Nasci livre como um rio agitado, forte como o vento que enfrento, perseguindo sonhos e correndo contra o tempo’, entoa Kid Rock.

Como em décadas passadas, nem todas as canções ‘ganham’ e algumas, apesar de terem o selo de algum superstar, em vez de realçar as virtudes do candidato podem arruinar a mensagem tão cuidadosamente arquitetada.

Esse foi o caso da legisladora republicana de Minnesota, Michele Bachmann, cuja campanha, talvez em busca de uma melodia patriótica, usou brevemente ‘American Girl’, de Tom Petty & The Heartbreakers, que trata de uma jovem saudosa e que não se ajusta à intenção de sua mensagem.

O refrão da canção diz algo como: ‘Oh sim, vá com calma, baby, faça com que dure a noite toda’, algo que para Michele, que defende a abstinência sexual entre os jovens, foi um grande despropósito, embora a maior dissonância tenha sido o uso de ‘Hey, Soul Sister’, o sucesso de 2010 da banda Train, que em uma das estrofes se refere ao sexo oral.

O empresário Herman Cain, que sonhava ser o segundo presidente negro da história dos Estados Unidos, mas do lado republicano, teve suas próprias dissonâncias.

Sua campanha usou o tema ‘I Am America’, de Kirsta Branch, uma espécie de hino do movimento conservador ‘Tea Party’ que critica, sobretudo, a hipocrisia e a ânsia de poder dos políticos.

Mas Cain, que defendia os valores conservadores da pátria e da família, abandonou a disputa após ser revelada uma série de escândalos sexuais, incluindo uma prolongada relação extraconjugal.

Do lado democrata, em 2008 a campanha de Barack Obama usou canções populares de Shakira e Ricky Martin em eventos para captar o voto hispânico, mas em sua campanha também foram utilizadas músicas sobre desenganos e decepções amorosas, bastante alheias a sua mensagem de ‘esperança’ e ‘mudança’. EFE

Continua após a publicidade
Publicidade