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‘Candidatos criminosos’ marcam presença nas eleições indianas

Por Da Redação - 31 jan 2012, 09h09

Diego Agúndez.

Nova Délhi, 31 jan (EFE).- Nada mudou nas eleições da maior região democrática do planeta: distrito a distrito, supostos mafiosos, trapaceiros e assassinos lideram as listas eleitorais de Uttar Pradesh, no norte de Índia.

Os 200 milhões de habitantes desta região vão às urnas em sete fases, de 8 de fevereiro até 3 de março, para escolher seus representantes regionais. A disputa pelo voto está sendo acirrada, e a eleição marcada pela igualdade entre os partidos.

Essa concorrência é que faz os políticos buscarem o apoio de mafiosos e caciques regionais, os quais são capazes de, no melhor dos casos, captarem votos. No pior, eles manipulam os resultados para firmarem a vitória.

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‘Nos anos 80, os criminosos perceberam que não precisavam dos políticos para ganhar as eleições e começaram a concorrer eles mesmos’, conta à Agência Efe o chefe da Associação para a Reforma Democrática (ADR) da Índia, Anil Bhairwal.

A intenção dos criminosos ainda é amparada pelo próprio sistema eletivo. Como cada distrito elege um só representante, os mafiosos e caciques regionais, frequentemente centros de poderes paralelos, possuem mais chances para conseguir uma nomeação.

A ADR se dedica em analisar os antecedentes de todos os candidatos nas eleições regionais e nacionais e, segundo suas conclusões, 38% dos candidatos na primeira fase de Uttar Pradesh têm abertos ‘casos criminais’ contra eles.

O pior é que não há partido que se salve. Nas duas grandes formações nacionais, o Partido do Congresso (INC) e o Bharatiya Janata Party (BJP), existem 28% e 44%, respectivamente, de candidatos com antecedentes e acusações em andamento.

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‘Para eles, o que pode ser mais atrativo do que ser deputado? De imediato, já aumenta seu prestígio perante as autoridades. A Polícia, que em teoria deveria os perseguir, começa a obedecer. De fato, passam a gozar de imunidade, graças à burocracia, os empresários e os políticos’, diz Bhairwal.

Nesta primeira fase, a lista de políticos criminosos é liderada por Mitrasen, candidato do partido regionalista Samajwadi e acusado de 3 assassinatos e 11 tentativas, além dos 36 processos abertos contra ele.

Há mafiosos que se apresentam nas eleições mesmo estando na prisão, como Brijesh Singh, que está detido no presídio de Ahmedabad por liderar um grupo de matadores de aluguel e por sua participação em um massacre de 13 pessoas.

‘Queremos ajudá-lo a se recuperar na política e na vida. Se apresentar e ganhar as eleições são os primeiros passos nesta direção. Mas, a política não é nova para ele’, disse a pessoa que apresentou os papéis em seu nome, Hemant Singh.

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Os criminosos e acusados costumam se eximir dizendo que as acusações que recebem são manobras políticas, impostas por rivais. Já os crimes são justificados pelo desejo de proteger os cidadãos da região.

Embora Uttar Pradesh seja o epicentro deste problema, seus resultados são fundamentais para a política indiana. Segundo os analistas, estas eleições definirão parte do futuro de Rahul Gandhi, apontado como possível primeiro-ministro para os próximos anos.

O fenômeno dos políticos supostamente criminosos se repete nas câmaras e também no Parlamento indiano. Na Câmara Baixa, 162 dos 543 deputados possuem casos abertos contra eles, sendo que a metade deles é considerada grave pela ADR.

A longa lista de acusações evidência assassinatos e tentativas de assassinatos, sequestros, extorsões, falsificação de documentos, fraude e roubo, extorsões, ameaças, incitação a distúrbios, reuniões ilegais ou, muito frequentemente, corrupção.

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‘Eu acho que os políticos estão sendo estúpidos ao lançar esses candidatos. Hoje, na Índia, a imagem dos políticos está muito danificada e ninguém confia neles. Mas, eles ganham as eleições porque o sistema é assim’, conclui Bairwal. EFE

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