Clique e Assine por apenas R$ 0,50/dia

Candidatos baixam as armas na véspera do primeiro turno da eleição francesa

Por Jean Pierre Muller 21 abr 2012, 12h45

Os candidatos à eleição presidencial na França deram uma pausa neste sábado, na véspera do primeiro turno que promete levar a um duelo final no dia 6 de maio entre o atual presidente, Nicolas Sarkozy, e o socialista François Hollande, grande favorito de uma campanha eleitoral dominada pela crise.

As votações já começaram neste sábado ao meio-dia para cerca de 900.000 franceses que vivem no continente americano. Em Montreal (Canadá), onde há 44.000 eleitores, filas de espera foram formadas desde a abertura dos centros de votação.

No Rio de Janeiro, a central de votação instalada no Consulado da França abriu suas portas poucos minutos depois das 08h00, e fechará às 18h00, disse um diplomata francês. Vários eleitores já se apresentaram para votar.

“É a primeira vez que os franceses no exterior não votarão no mesmo dia. Toda a América e as Antilhas vão votar neste sábado entre 08h00 e 18h00”, disse o diplomata.

Cerca de 15 mil eleitores estão inscritos no Brasil – 38% a mais do que em 2007 – em diversos consulados espalhados pelo país, embora a maior quantidade se concentre em São Paulo e Rio de Janeiro, com 5.459 e 5.174 eleitores, respectivamente, segundo números da embaixada francesa.

No total, por volta de 44,5 milhões de eleitores foram convocados às urnas para escolher os dois finalistas.

Desde sexta-feira à meia-noite, os dez candidatos foram proibidos de realizar atos públicos até o domingo às 20h00 (15h00 de Brasília), hora do fechamento dos últimos centros de votação.

A maior parte deles optou por passar este sábado em seus redutos, como François Hollande, que percorreu sob uma chuva persistente o mercado de Tulle, em Corrèze (centro), em meio a palavras de apoio dos comerciantes. “Sábado chuvoso, domingo feliz”, previu um florista.

Dado como claro vencedor no segundo turno por todas as pesquisas de opinião, com 55% dos votos em média, o socialista está perto de se tornar o primeiro presidente de esquerda desde François Mitterrand (1981-1995).

Mas ele permanece prudente. “Nada está decidido”, repetiu em sua última semana de campanha, pedindo uma mobilização em torno de sua candidatura já a partir do primeiro turno, em que a maior parte das pesquisas o coloca levemente à frente de Nicolas Sarkozy (28% contra 26%).

Em campanha há mais de um ano, François Hollande, de 57 anos, martelou constantemente suas prioridades: o emprego dos jovens e o crescimento, dizendo-se sempre determinado a alcançar o equilíbrio orçamentário em 2017.

Continua após a publicidade

O ex-líder do Partido Socialista (1997-2008) fez, principalmente, os franceses esquecerem sua falta de experiência governamental e transformar a eleição em um referendo contra o atual presidente.

Apesar de vários mea culpa, Nicolas Sarkozy não conseguiu melhorar muito a sua imagem e é visto por muitos como o “presidente dos ricos”. Ele centrou sua campanha na segurança e na imigração, apresentando-se como aquele que permitiu à França evitar o destino econômico da Grécia.

O candidato da direita, que almoçou neste sábado com sua equipe, quer que uma outra campanha comece na segunda-feira, ainda mais se conseguir sair na frente no domingo à noite.

Bem atrás, a líder da extrema direita, Marine Le Pen, 43 anos, e o grande nome da esquerda radical, Jean-Luc Mélenchon, 60 anos, que representam o voto de protesto, devem disputar a 3ª posição, com cerca de 15% das intenções de voto.

Em sua primeira campanha presidencial, Marine Le Pen resistiu à tentativa de Sarkozy de ganhar os eleitores da Frente Nacional, como havia feito em 2007, mas não parece forte o bastante para chegar ao segundo turno, como seu pai em 2002.

Revelação da campanha com seus atos gigantescos, Jean-Luc Mélenchon ofuscou os dois candidatos da extrema esquerda, Philippe Poutou (Novo Partido Anticapitalista) e Nathalie Arthaud (Luta Operária), limitados a 1%. Outro que não deve ter um grande eleitorado é a ecologista Eva Joly, que tem 3%, longe da meta dos Verdes.

A esquerda é a grande reserva de votos para François Hollande no segundo turno.

Já Nicolas Sarkozy poderá contar apenas com parte dos eleitores de Marine Le Pen e do centrista François Bayrou que, após ter colocado no coração da campanha eleitoral o tema da reindustrialização do país, caiu para de 10 a 12% das intenções de voto.

Os dois últimos candidatos, o soberanista de direita Nicolas Dupont-Aignan e Jacques Cheminade, pouco conhecido, recebem 2% e 0,5%.

Neste sábado, a imprensa francesa não acreditava em surpresa, mesmo ressaltando o alto nível abstenção, que poderá superar 25%, contra os 16% de 2007.

Outro fator importante: as estimativas de resultados circularão na internet no domingo antes do encerramento da votação às 20h00 (15h00 de Brasília)? Rádios e redes de televisão francesas estão decididas a mantê-las em segredo até a hora permitida. As autoridades ameaçaram punir quem desrespeitar a lei.

Continua após a publicidade
Publicidade