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Candidato ao governo de Buenos Aires denuncia irregularidades nas primárias

Felipe Solá, do partido Frente Renovadora, afirma que formato da cédula pode ter lhe custado 192.400 votos

O candidato ao governo da província de Buenos Aires pela Frente Renovadora, Felipe Solá, afirmou nesta segunda-feira que foi prejudicado por irregularidades ocorridas durante as eleições primárias do último dia 9 de agosto. Solá, o terceiro candidato mais votado no pleito da província, disse que não recebeu nenhum voto em seções eleitorais em que foi registrado amplo apoio para o pré-candidato a presidente pelo mesmo partido, Sergio Massa. Segundo ele, o formato de cédula usado em certas seções eleitorais pode ter lhe custado 192.400 votos.

As cédulas de votação eram compostas por duas partes. A primeira era destinada aos pré-candidatos a presidente, seguida por outra para os demais cargos em disputa. Dessa forma, elas poderiam ser destacadas para que um eleitor votasse apenas em candidatos para um determinado cargo. Em entrevista à rádio Mitre, de Buenos Aires, Solá afirmou que esse formato de cédulas pode tê-lo prejudicado, por incentivar milhares de eleitores a votar apenas para presidente. Ele desconfiou das irregularidades após ter notado a quantidade de cédulas com votos para presidente, mas não para governador.

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O candidato a governador disse que planeja levar a denúncia à Justiça Eleitoral da Argentina. Os 192.400 votos que Solá afirma ter perdido equivalem a 2,21% do total, um percentual que, somado ao resultado obtido por ele segundo a apuração oficial, o colocaria como o segundo mais votado da província, à frente do candidato governista Aníbal Fernández. A candidata mais votada nas primárias foi María Eugenia Vidal, da conservadora Proposta Republicana (Pró). As eleições para governador na província de Buenos Aires, o maior distrito eleitoral da Argentina, serão realizadas no dia 25 de outubro, junto com o pleito presidencial.

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Primárias – As primárias argentinas foram criadas em 2009 e aplicadas pela primeira vez em 2011, ano em que a presidente Cristina foi reeleita no primeiro turno com 54% dos votos. A originalidade do sistema argentino é que são primárias abertas, simultâneas e obrigatórias, ou seja, todos os partidos competem no mesmo dia e em todo o país. No dia 9 de agosto os argentinos escolheram os integrantes de cada partido ou aliança que competirão em 25 de outubro nas eleições para escolher um presidente e renovar o Congresso, além de votar nos legisladores para o Parlasul, o Parlamento do Mercosul, e escolher os candidatos a governador de sua província.

Em alguns casos são tantos os cargos a serem eleitos que a cédula eleitoral media até 1,2 metro, como na província de Catamarca, no noroeste do país, que votou com a cédula mais longa da história eleitoral do país.

(Com agência EFE)