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Canadense ex-refém do Talibã é detido por agressão sexual

Joshua Boyle, 33, responde por quinze acusações de crimes teriam ocorrido desde seu retorno ao Canadá

Joshua Boyle, 34, o canadense que passou cinco anos como refém do Talibã junto com sua esposa e filhos, foi detido na província de Ottawa e acusado de agressão sexual e lesão corporal, informou a emissora americana CNN.

Após serem libertados por forças paquistanesas, ele voltou ao seu país de origem no ano passado junto com sua esposa americana Caitlan Coleman e seus três filhos, todos nascidos durante os anos passados em cativeiro. Os crimes teriam ocorrido entre o dia 14 de outubro, dia de seu retorno, e 30 de dezembro de 2017. 

Boyle responde por quinze acusações, sendo sete de lesão corporal, duas de agressão sexual, duas de cárcere privado, uma de ameaça de morte e uma por obrigar uma pessoa a ingerir uma substância nociva — todas essas teriam sido praticadas contra uma mesma vítima, cuja identidade é protegida por sigilo judicial. Ele responde também por lesão corporal contra uma segunda vítima e por obstrução de justiça.

Ao jornal canadense Toronto Star, sua esposa, Caitlan Coleman, afirmou que não comentaria as acusações, mas disse que “ultimamente, a tensão e o trauma que ele [Boyle] foi forçado a enfrentar durante tantos anos e os efeitos disso em seu estado mental são os maiores culpados pela situação”.

“Obviamente, ele é responsável por suas ações”, ela acrescentou, “mas é com compaixão e perdão que eu espero que ele encontre ajuda e cura. Quanto ao resto de nós, eu e as crianças estamos saudáveis e resistindo da melhor forma possível”.

O casal foi sequestrado em 2012 no Afeganistão por terroristas da rede Haqqani, associada ao Talibã. Coleman estava grávida à época e deu à luz no cativeiro a três crianças. Ao chegar ao aeroporto internacional de Toronto, no ano passado, Boyle afirmou a repórteres que os terroristas estupraram sua mulher e “autorizaram o assassinato” de uma filha do casal que também teria nascido enquanto os dois eram reféns. Segundo a CNN, ele teria dito a pessoas próximas à família que seus captores teriam obrigado sua esposa a abortar pelo menos uma vez.

À época, Boyle explicou à agência Associated Press que ele e Coleman decidiram ter filhos em cativeiro porque sempre quiseram uma grande família. “Éramos reféns e passávamos muito tempo sem fazer nada”, ele disse. “Sempre quisemos ter o máximo de filhos possível, e não queríamos perder tempo. Caitlan está nos trinta, o tempo está acabando”, acrescentou.