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Campanha antipólio sofre novos ataques no Paquistão

Mais três funcionários de vacinação são mortos e ONU suspende trabalhos

Três pessoas morreram nesta quarta-feira em novos ataques no Paquistão contra a campanha para a erradicação da poliomielite, anunciaram as autoridades locais. Em resposta, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e a Organização Mundial da Saúde (OMS) suspenderam os trabalhos da campanha de vacinação no país inteiro.

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Nesta quarta-feira, homens armados mataram uma funcionária da campanha e seu motorista em Sharsada, perto de Peshawar, uma grande cidade no noroeste do país. Um homem que havia ficado ferido em um ataque durante a manhã não resistiu e também morreu, informaram fontes médicas, o que eleva a nove o número de funcionários da campanha contra a pólio mortos desde segunda-feira.

Na terça-feira, seis funcionárias da campanha foram mortas na região de Karachi. Após os novos ataques, o porta-voz do Unicef, Michael Coleman, afirmou que a organização e a OMS suspenderam os trabalhos contra a pólio em todo o país.

No Paquistão, milhares de pais se negam a vacinar os filhos contra a poliomielite pela pressão de líderes religiosos e insurgentes. O Paquistão é um dos três países no mundo onde a poliomielite ainda é endêmica, mas os esforços para conter a doença são prejudicados pela resistência dos talibãs, que baniram a vacinação em algumas áreas.

Talibã – Um dos argumentos da milícia fundamentalista é que, por trás dos postos de vacinação financiados por doadores internacionais e pelas Nações Unidas, se esconde uma rede de espiões. A ideia se apoia no caso do médico Shakil Afridi, condenado a 33 anos de prisão no Paquistão por ajudar a CIA na captura de Osama bin Laden por meio de uma falsa campanha de vacinação contra hepatite que, na realidade, pretendia obter amostras de DNA do chefe da Al Qaeda.

(Com agência France-Presse)