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Cameron apresenta propostas para dificultar entrada de imigrantes da UE

Governo quer expulsar europeus que estiverem desempregado há seis meses e estabelecer prazo de quatro anos de residência para a concessão de benefícios

Por Da Redação - 28 nov 2014, 09h35

O primeiro-ministro da Grã-Bretanha, David Cameron, anunciou nesta sexta-feira o seu plano para dificultar a entrada e a permanência de imigrantes da União Europeia ao país. Entre as medidas mais radicais estão expulsar os imigrantes desempregados há mais de seis meses e estabelecer um período mínimo de permanência de quatro anos no território para que eles possam pedir benefícios sociais.

Cameron insistiu ainda que as medidas são uma condição e terão que ser aceitas pela União Europeia para que o país permaneça no bloco. O país deve organizar um referendo sobre a permanência em 2017.

Em um tom de ameaça, ele sinalizou que pode não se empenhar no plebiscito caso Bruxelas rejeite as propostas apresentadas nesta sexta. “Se as nossas preocupações não forem bem-sucedidas e não conseguirmos colocar o nosso relacionamento com a UE numa base melhor, então é claro que não posso excluir nada”, disse em um discurso.

Entre outras propostas estão impedir que os imigrantes peçam benefícios para filhos que vivem fora da Grã-Bretanha; dificultar a vinda das famílias; acelerar a deportação daqueles que cometerem crimes; instituir banimentos de longo prazo para pedintes profissionais e golpistas; e impedir a entrada de cidadãos de novos membros da UE de trabalharem na Grã-Bretanha até que as economias de seus países cresçam e alcancem o patamar dos membros mais antigos – uma medida que deve atingir em cheio cidadãos de países como a Romênia e Bulgária.

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Entre os benefícios estão subsídios para a compra de casas e o recebimento de bolsas de complemento de renda. Cameron disse ainda que a preocupação com a entrada de imigrantes “não são exageradas”. “Nós merecemos ser ouvidos e seremos ouvidos”, disse. “Essa questão importa para a população da Grã-Bretanha e para o nosso futuro na UE.”

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Atualmente, os imigrantes da União Europeia podem se instalar na Grã-Bretanha e procurar por empregos sem passarem por controles. Os cidadãos de fora do bloco enfrentam restrições bastante severas para morar no país.

Cameron pretende começar a trabalhar para aplicar as medidas a partir de maio. O primeiro-ministro vem sendo criticado por políticos mais conservadores por causa do aumento da migração para o país.

Dados do governo revelam que no período entre julho de 2013 e junho deste ano 583.000 pessoas entraram o país. No período anterior foram 502.000. Os imigrantes de países fora da UE representaram a maior parte das novas entradas (274.000), mas os cidadãos europeus acabaram contribuíram mais para o aumento em relação ao ano anterior, com 228.000 pessoas – 45.000 a mais do que no ano anterior.

Cerca de 2,7 milhões de cidadãos de outros países da UE moram na Grã-Bretanha, representando 4,3% da população total. Segundo o jornal The Guardian, 78.2% estão empregados – uma taxa mais alta que a dos britânicos, que contam com 73,6%.

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