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Câmeras corporais e protestos: Entenda a crise envolvendo o ICE e a nova aposta do governo Trump

A adoção da tecnologia ocorre simultaneamente a uma polêmica reversão de políticas do presidente americano, que forçou o retorno imediato dessas operações

Por Alessandro Giannini Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 19 jul 2026, 14h31
Câmeras corporais e protestos: Entenda a crise envolvendo o ICE e a nova aposta do governo Trump Priorizar nos meus resultados Google

O “czar da fronteira” dos Estados Unidos, Tom Homan, anunciou neste domingo, 19, que os agentes de campo do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE, na sigla em inglês) passarão a usar câmeras corporais obrigatoriamente durante abordagens de trânsito. A nova diretriz nacional surge na esteira de uma crise de imagem da agência, em um governo que tem a imigração como pilar, após a morte a tiros de dois imigrantes desarmados gerar protestos exigindo transparência. A adoção da tecnologia ocorre simultaneamente a uma polêmica reversão de políticas do presidente Donald Trump, que forçou o retorno imediato dessas operações apenas um dia depois de o próprio ICE tê-las suspendido por segurança.

O estopim da atual crise ocorreu com a morte de dois homens em um intervalo de seis dias. No dia 7, o mexicano Lorenzo Salgado Araujo foi morto em Houston, no Texas. Dias depois, o colombiano Joan Sebastián Durán Guerrero foi baleado em Biddeford, no Maine. O Departamento de Segurança Interna (DHS, na sigla em inglês) admitiu que as vítimas não eram os alvos principais das operações. Agentes dispararam alegando que os motoristas tentaram fugir ou usar os veículos como armas, justificativas que acabaram contestadas por testemunhas e pelas famílias.

A escalada letal levou a direção do ICE a suspender temporariamente as abordagens de veículos para reavaliar os protocolos. A pausa, contudo, durou pouco. Trump exigiu a retomada imediata das ações, afirmando que abrir mão da tática seria ceder terreno aos criminosos. Tom Homan, que inicialmente concordara com a revisão, inverteu sua posição para defender a ordem presidencial. Ele foi além e culpou a oposição democrata pelas mortes recentes, alegando que a “retórica” anti-ICE encoraja a resistência às prisões, e alertou que haverá “mais derramamento de sangue” se os críticos não se calarem.

As declarações e as mortes sem registros visuais inflaram a reação da sociedade civil. Movimentos organizaram marchas em Orlando, Boston, Houston e cidades do Maine, engrossando o coro por transparência e reformas na agência. O fato de os oficiais envolvidos não utilizarem câmeras corporais alimentou ainda mais a indignação e as cobranças de legisladores democratas.

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Pressionado, Homan anunciou a implementação do uso de câmeras, justificando que os equipamentos já haviam sido comprados, mas sofreram atrasos logísticos devido a uma paralisação financeira no Congresso. O objetivo de Homan é provar ao público a visão do policial no momento da ação, argumentando que as imagens costumam inocentar os oficiais com mais frequência do que o contrário. A medida também reflete uma mudança de estratégia nos bastidores da Casa Branca: visando evitar desgastes políticos, o governo Trump passou a avaliar que a promessa de “deportação em massa” foi longe demais, e busca agora focar seu discurso público exclusivamente na remoção de criminosos condenados.

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