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Bush é alvo de sapatos em visita surpresa ao Iraque

Por Da Redação 14 dez 2008, 12h01

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Um repórter iraquiano chamou o presidente dos EUA, George W. Bush, de “cachorro” em árabe e atirou seus sapatos contra ele neste domingo, durante uma entrevista coletiva em Bagdá.

Seguranças iraquianos e agentes do serviço secreto americano dominaram o homem e o retiraram da sala onde Bush dava entrevista ao lado do primeiro-ministro do Iraque, Nuri al-Maliki.

Os sapatos passaram a cerca de 4,5 metros do alvo. Um deles passou sobre a cabeça de Bush, que estava em pé ao lado de Maliki, e se chocou contra a parede atrás deles. Bush sorriu de forma desconfortável e Maliki pareceu tenso.

“Isso não me incomoda,” disse Bush, pedindo calma a todos os presentes, enquanto a desordem tomava conta da sala. Indagado sobre o incidente logo depois, Bush não quis dar importância ao incidente. “Não me senti nem um pouco ameaçado”, afirmou. Outros jornalistas iraquianos se desculparam pelo feito do colega, um jornalista televisivo.

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Despedida manchada – Bush chegou ao Iraque neste domingo, numa visita surpresa poucas semanas antes de entregar o comando da guerra a um sucessor que prometeu pôr fim a ela – Barack Obama, que assume a presidência em 20 de janeiro. A visita coincide com novas revelações sobre os erros da incursão americana no Iraque. Justamente neste domingo, o jornal americano The New York Times antecipou um relatório federal mostrando que o processo de reconstrução do país foi um grande fracasso e o Pentágono chegou a “maquiar” os progressos.

O Air Force One, o avião presidencial, aterrissou no Aeroporto Internacional de Bagdá à tarde (horário local), depois de uma partida em segredo de Washington e um vôo de 11 horas. Bush se reuniu com dirigentes iraquianos, entre eles Maliki, para reafirmar o recente acordo de segurança entre os EUA e o Iraque. O conselheiro de Segurança Nacional americano, Stephen Hadley, afirmou que a visita “mostra que caminhamos para uma relação diferente, com os iraquianos exercendo mais soberania e nós desempenhando um papel cada vez mais subordinado”.

A imagem de sucesso buscada pelo governo Bush no Iraque foi manchada pela reportagem do New York Times, que revelou conclusões do relatório do inspetor-geral para a reconstrução do país, Stuart Bowen. O jornal diz ter obtido duas cópias de fontes oficiais. Segundo o documento, intitulado “Duras lições: a experiência da reconstrução iraquiana”, as divergências entre as agências governamentais americanas, a ignorância de aspectos básicos da sociedade e da infra-estrutura do Iraque e a falta de segurança no país levaram ao fracasso da missão de reconstrução iniciada depois da invasão de 2003.

O relatório diz que, quando os números da reconstrução deixaram de mostrar avanços, especialmente na reestruturação do Exército e da Polícia iraquianos, o Pentágono inflou dados para mostrar progresso. Citando como fonte o ex-secretário de Estado Colin Powell, o documento afirma que, nos meses posteriores à invasão, o Pentágono “continuou inventando números das forças de segurança iraquianas, números que podem ter aumentado em 20 mil por semana. Agora temos 80 mil, agora temos 100.000, agora temos 120.000”.

A denúncia de que o Pentágono inflou os números é endossada pelo ex-comandante das tropas no Iraque Ricardo Sánchez e pelo administrador civil do país antes da criação em 2004 do novo governo iraquiano, Paul Bremer.

O relatório conclui que, cinco anos depois de iniciar seu maior projeto de reconstrução no exterior desde o Plano Marshall na Europa, no final da Segunda Guerra Mundial, os EUA não têm as condições políticas, técnicas e organizacionais necessárias para concretizá-lo.

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