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Brasileiros que vivem nos EUA sofrem calote de agência financeira

Dezenas de imigrantes utilizaram serviços da agência Century Union, em Nova Jersey, para enviar dinheiro ao Brasil, mas perderam milhares de reais

Por Daniela Flor - Atualizado em 26 out 2016, 20h03 - Publicado em 26 out 2016, 19h57

Brasileiros que vivem no Estado de Nova Jersey, nos Estados Unidos, tentam descobrir o destino de milhares de dólares que enviaram às suas famílias no Brasil. Nos últimos meses, dezenas de imigrantes utilizaram a agência Century Union, na cidade de Newark, para enviar remessas para contas no Brasil que, até hoje, não chegaram ao país.

No dia 3 de setembro, o mineiro Cláudio Barboza, chefe de segurança do festival Brazilian Day que mora há 25 anos nos EUA, foi à agência para enviar 3.500 dólares (11.000 reais) para o Brasil. O prazo para recebimento, segundo funcionários da empresa, era de 7 a 10 dias úteis. “Depois de duas semanas sem sinal do dinheiro, fui atrás. Me disseram que estava parado por causa da greve dos bancos”, relatou.

A história se repetiu com Danival Macedo, conhecido como Danny, gerente de uma oficina de polimento de veículos que vive desde 2002 em Nova Jersey. Em 20 de setembro, Danny enviou 946 dólares (quase 3.000 reais) por meio da Century Union. Depois de semanas sem obter respostas, gravou um vídeo sobre o caso e publicou em seu Facebook. “A greve acabou e meu dinheiro não chegou”, denuncia.

Após o vídeo de Danny, que já tem quase 80.000 visualizações, mais de vinte pessoas relataram casos semelhantes, que envolvem transações de até 6.000 dólares (18.5000 reais). Apenas entre as vítimas que entraram em contato com o site de VEJA, o montante enviado através da agência que nunca chegou ao Brasil passa de 21.500 dólares, pouco mais de 67.000 reais.

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Muitas vítimas foram até a loja, que fechou as portas há semanas e conta apenas com um aviso de “volto já” na porta. Nos números de telefone disponíveis, ninguém atende as ligações.

Segundo os clientes, a agência funciona há seis anos e é administrada pelos brasileiros Robes Barboza e sua esposa, Elisabete Freitas, e tem filiais na Flórida e em outros Estados americanos. Em agosto, o casal inaugurou o restaurante Paiol Steak House, na cidade de Lowell, Massachusetts, e possui outros estabelecimentos na região.

Depois da exposição nas redes sociais e uma série de denúncias nas páginas de suas empresas, Robes entrou em contato com Danny e afirmou que a agência estava “passando por problemas financeiros” e, por isso, não havia depositado o dinheiro. Dos mais de vinte lesados, apenas Danny recebeu o valor que havia transferido de volta, na última terça-feira (25). “Ele me pagou e me pediu para tirar o vídeo da internet, estava nervoso com a proporção do caso”, afirmou.

Cláudio Barboza também conseguiu entrar em contato com Robes, que lhe pediu que “tivesse paciência” e não respondeu mais seu contato. “Quero meu dinheiro. Se não receber esta semana irei à polícia”, disse

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Rosângela Grgas, que mora há mais de 20 anos nos Estados Unidos, perdeu 1.900 dólares (quase 6.000 reais) para Century Union, que seriam destinados à sua mãe. “Quando atendiam o telefone, eram grosseiros, diziam que não nos deviam explicações”, relata. A brasileira chegou a registrar um boletim de ocorrência na polícia, atitude que também foi tomada por outras vítimas.

O problema é ainda maior para alguns dos imigrantes, que têm medo de cobrarem o valor por estarem ilegais no país. De acordo com o mineiro Barboza, membros do grupo criado pelas vítimas no Whatsapp conseguiram contatar Elizabeth, que ameaçou chamar a imigração contra aqueles que não fossem cidadãos americanos – uma minoria entre as vítimas.

Resposta

Em um áudio enviado a Danny nesta quarta-feira, disponibilizado a VEJA, Robes prometeu estar “providenciando o pagamento de todos”, que começaria a ser feitos ainda hoje. “Pagarei juros daqueles que foram lesados pelo atraso”, prometeu. Segundo Robes, “aconteceram problemas no Brasil” que ele prefere não comentar e, por isso, não teve condições de manter prazo das transferência. “Nesse momento, é mixaria o que ficou para trás para pagar. Eu gostaria que vocês tivessem paciência e calma comigo”, pediu. Contatado pela reportagem de VEJA, Robes não quis se pronunciar.

 

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