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Brasileira relata tensão na Itália por causa do surto de coronavírus

Julia Boechat, estudante de mestrado em História, descreve clima de apreensão crescente por conta da disseminação da doença no país

Por Felipe Mendes - Atualizado em 2 mar 2020, 14h07 - Publicado em 1 mar 2020, 17h32

A estudante brasileira Julia Boechat, de 30 anos, tem passado mais tempo em casa do que gostaria nos últimos dias. A Universidade de Bolonha, na Itália, onde estuda, cancelou as aulas há cerca de 10 dias. A partir desta segunda-feira, 2, ela e os amigos de turma voltarão a poder ter acesso aos estudos, mas será de uma forma diferente do habitual – por meio de ensino a distância (EAD). “Desde a última semana, escolas e universidades estão fechadas. Agora, nós teremos aulas on-line”, conta Julia.

O motivo para a mudança repentina de sua rotina é o novo coronavírus (batizado de covid-19). A enfermidade, descoberta na China, atingiu em cheio a comunidade italiana. Já são mais de 1.000 casos confirmados no país europeu – a Itália é a nação mais afetada pela doença fora da Ásia. Ao menos 34 pessoas morreram no país. No Brasil, há dois casos confirmados – em ambos, as pessoas contraíram o vírus na Itália. “O governo tem passado uma cartilha de informações para evitar a disseminação da doença, como cobrir a boca quando tossir ou espirrar”, diz.

Julia Boechat, estudante brasileira, fala sobre surto de coronavírus na Itália ./Arquivo pessoal

Julia conta que, conforme a epidemia tem se espalhado, o clima de pânico cresce na população. Ainda que Bolonha seja um dos pontos onde a doença não tem prosperado – há, apenas, dois casos confirmados na cidade –, os supermercados da região já registram falta de produtos para higiene pessoal, como álcool em gel e máscaras cirúrgicas. “Esses itens acabaram. Os supermercados têm colocado avisos em suas portas”, afirma. Além disso, museus e centros culturais paralisaram as atividades temporariamente na última semana.

O contágio tem afetado, principalmente, moradores das regiões da Lombardia, onde há vilas completamente isoladas, Veneto e Emília Romana. Nessas áreas, há uma força-tarefa para entrega a domicílio. “O governo disponibilizou números de telefones, em que as pessoas ligam e recebem alimentos em casa [por exemplo]”, diz Julia, que tem amigos em Brescia, na Lombardia.

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Neste domingo 1º, a Itália anunciou que irá implementar medidas que totalizam um investimento de 3,6 bilhões de euros, o equivalente a 0,2% do produto interno bruto (PIB) local, para ajudar empresas na busca por uma solução à epidemia. O montante será complementar aos 900 milhões de euros que o governo italiano já havia anunciado em 28 de fevereiro para as áreas mais afetadas pela epidemia no país. No mundo, mais de 3.000 pessoas morreram em decorrência da doença, que já conta com mais de 86.000 casos.

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