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Brasil ‘pode desempenhar papel sério em esforços de paz’, diz porta-voz da Ucrânia

Representante da chancelaria ucraniana destacou capacidade brasileira de dialogar com ambas as partes do conflito, que vive nova escalada

Por Caio Saad Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 21 jul 2026, 12h48
Brasil ‘pode desempenhar papel sério em esforços de paz’, diz porta-voz da Ucrânia Priorizar nos meus resultados Google

Em meio a uma nova escalada de ataques na guerra desencadeada pela invasão da Rússia à Ucrânia, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores ucraniano, Heorhii Tykhyi, reconheceu nesta terça-feira, 21, que o Brasil “pode desempenhar um papel sério em esforços de paz em vários formatos”. 

“O Brasil tem diálogos com a Rússia. Nos últimos anos, vimos em uma série de ocasiões que a liderança brasileira pediu um cessar-fogo, e apreciamos porque precisamos deste cessar-fogo”, disse Tykhyi em conferência online com um grupo de jornalistas latino-americanos, do qual VEJA fez parte.

O porta-voz exaltou ainda o recente encontro entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, em Évian, na França, às margens da cúpula do G7.

“Existe um grande valor em manter este canal aberto. Nosso convite para que líderes brasileiros e autoridades brasileiras visitem a Ucrânia segue aberto. Ficaríamos muito felizes em receber o chanceler Mauro Vieira”, disse.

No ano passado, Lula e Zelensky já haviam se encontrado às margens da Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York. Na ocasião, o ucraniano afirmou que “Lula me disse que fará o possível para a paz na Ucrânia”, dizendo também ter apreciado “sinalizações feitas pelo Brasil”.

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Em nota, à época, o governo brasileiro afirmou que Lula “reiterou sua convicção de que não haverá saída militar para o conflito”, expressando apoio a diálogos diretos entre as partes e maior engajamento da ONU na busca por uma solução negociada. Para o Brasil, “um entendimento sobre as condições de um cessar-fogo deveria ser o primeiro passo de um processo de negociação”. 

+ Ucrânia recupera mais território do que perde e interrompe avanço russo, afirma Kiev

Em entrevista a VEJA, o ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Andrii Sybiha, já havia adiantado que seu país “conta com um papel mais ativo do Brasil” para esforços de paz, reconhecendo e elogiando participação de Lula para intermediar, através de conversas com o presidente russo, Vladimir Putin, um encontro entre representantes de Kiev e Moscou, que aconteceu em Istambul.

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A mudança de tom e os encontros recentes seguem relações muitas vezes conturbadas. Em 2025, por exemplo, Zelensky chegou a afirmar que o “trem do Brasil passou”. Cogitou-se que os dois poderiam se encontrar para uma bilateral às margens da cúpula do G7, em junho passado, no Canadá, o que não aconteceu.

Também em 2025, Zelensky rejeitou publicamente a proposta da China e do Brasil para o fim da guerra, acusando os dois países de tentarem “aumentar seu poder às custas da Ucrânia”. Lula, em dura resposta, criticou o ucraniano pelo fracasso em encontrar uma solução para o conflito, que se arrasta desde fevereiro de 2022.

Guerra na Ucrânia

No domingo, a Ucrânia lançou mais de 400 drones contra Moscou, capital da Rússia, e sua região metropolitana, deixando dez feridos, entre eles três chineses. O ataque ocorre após uma escalada das tensões na guerra durante o fim de semana – a Rússia lançou uma série de mísseis balísticos contra Kiev, deixando pelo menos seis pessoas mortas e dezenas feridas. Além da capital, os bombardeios atingiram Kharkiv, Kherson e Sumy.

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A ofensiva com 41 mísseis balísticos – a maior em um único ataque desde o início da guerra, segundo autoridades ucranianas – atingiu um dormitório, um bloco residencial e um supermercado, além de edifícios não residenciais e armazéns.

Segundo Kiev, o momento é de avanços no campo de batalha. Ao longo de maio, a Ucrânia teria retomado mais território do que perdeu para a Rússia, interrompendo uma sequência de ganhos mensais das forças de Moscou. Segundo o comandante-chefe das Forças Armadas ucranianas, Oleksandr Syrskii, o resultado reflete uma estratégia voltada a sufocar a logística inimiga, com ataques cada vez mais frequentes a depósitos de combustível, munições e rotas de abastecimento.

Em publicação no Telegram, Syrskii afirmou que a diferença entre as áreas recuperadas e perdidas no mês passado foi de quase 100 quilômetros quadrados em favor da Ucrânia. O portal ucraniano Militarnyi, citando fontes militares, estimou ganhos líquidos ainda maiores, de cerca de 120 quilômetros quadrados.

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Dados do Instituto para o Estudo da Guerra (ISW), centro de pesquisa sediado em Washington que monitora o conflito, apontam na mesma direção. Segundo a organização, a Rússia perdeu o controle de aproximadamente 280 quilômetros quadrados em maio, enquanto avançou sobre cerca de 40 quilômetros quadrados de território ucraniano.

Segundo dados divulgados por Kiev, drones ucranianos de curto e médio alcance atingiram cerca de 180 mil alvos em maio, um aumento de 12,7% em relação ao mês anterior. O governo também afirma ter ampliado sua capacidade de interceptar drones Shahed lançados pela Rússia, apesar da escalada nos ataques.

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