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Brasil é país onde população mais teme violência no mundo, aponta índice

Global Peace Index (GPI) de 2021 mostra que impacto econômico da Covid-19 levou a aumento de conflitos sociais e agitações civis em todo o mundo

Por Julia Braun Atualizado em 16 jun 2021, 17h10 - Publicado em 17 jun 2021, 01h30

O Brasil é o país onde a população tem o mais alto grau de medo da violência, segundo o Global Peace Index (GPI) de 2021. A pesquisa, elaborada anualmente pelo Instituto para Economia e Paz, sediado na Austrália, mostrou que quase 83% dos brasileiros temem ser vítima de um crime violento.

Em sua 15ª edição, o estudo ainda trás um ranking de 163 países, classificados de acordo com o nível de violência. Neste ano, o Brasil ficou na posição de número 128, atrás de outras nações sul-americanas como Chile (49), Equador (88) e até mesmo a Bolívia (105).

“O Brasil é o terceiro país menos pacífico na América do Sul de acordo com nosso índice [na frente apenas da Venezuela e da Colômbia] e identificamos no último ano uma deterioração nos níveis dos conflitos internos e da instabilidade política”, diz Steve Killela, CEO e Fundador do Instituto para Economia e Paz.

Os dados coletados ainda mostram que 64% dos brasileiros acreditam que a violência é o maior risco à sua saúde pessoal e 58% se sentem menos seguros hoje do que há cinco anos atrás. Entre as mulheres, 80% dizem se sentir menos seguras no país do que os homens.

Muitos países na América Latina registraram uma grande queda em homicídios e crimes violentos nas ruas. No entanto, a pesquisa revela que as medidas de lockdown adotadas no Brasil não impactaram o número de homicídios.

Resultados globais

Globalmente, o estudo mostrou uma leve deterioração do nível de pacificação global. Esta é a nona vez em 12 anos que o GPI indica o mesmo resultado.

No geral, 87 países viram seus índices de paz melhorar, enquanto 73 caíram no ranking. O Brasil se manteve na mesma posição do ano anterior.

O Afeganistão foi classificado pelo GPI como o país menos pacífico do mundo pelo quarto ano seguido, seguido por Iêmem, Síria, Sudão do Sul e Iraque. Já no topo da lista, como nação mais segura, está a Islândia – que ocupa a mesma posição desde 2008. O ranking ainda traz Nova Zelândia, Dinamarca, Portugal e Eslovênia nos primeiros lugares.

Apesar da população brasileira ser a que mais teme crimes violentos, a pesquisa registrou índices de experiência de violência maiores em outros países. A situação é mais grave na região da África subsariana, onde cinco em nações mais da metade da população viveu uma experiência violenta recente.

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Já a Namíbia é o pior com a pior qualificação neste quesito e 63% de sua população afirma ter sofrido danos graves pela violência ou conhecer alguém que sofreu nos últimos dois anos.

Pandemia e violência

Uma das grande novidades do estudo publicado em 2021 é o impacto da pandemia de Covid-19 nos níveis de conflito e violência. Segundo o Instituto para Economia e Paz, as agitações civis aumentaram em 2020 e foram registrados mais de 5.000 eventos violentos relacionados com a crise sanitária entre janeiro de 2020 e abril de 2021.

Conflitos e crises que emergiram na década passada começaram a diminuir, mas foram substituídos por uma nova onda de tensão e incertezas como resultado da pandemia e aumento da tensão entre muitas das grandes potências globais. Enquanto grande parte do mundo entrou em confinamento, o nível total de agitação política e civil aumentou.

A maior deterioração regional na paz ocorreu na América do Norte, devido ao aumento dos níveis de instabilidade política, homicídios e manifestações violentas. Eventos como a invasão ao Capitólio dos Estados Unidos por apoiadores do ex-presidente Donald Trump em janeiro deste ano e protestos generalizados em apoio ao movimento Black Lives Matter aumentaram a agitação civil, a instabilidade política e a intensidade do conflito interno em 2020.

Quando analisados os índices de manifestações populares violentas, 25 países viram seus indicadores caírem, enquanto apenas oito melhoraram. Entre as nações mais afetadas estão Belarus, Mianmar, Rússia, Estados Unidos e Quirguistão.

“Ao longo do tempo, a Covid-19 se tornou um efeito multiplicador para vários conflitos já existentes devido à instabilidade política, violência em manifestações e outros fatores sociais como a polarização” diz Steve Killela. “Com os primeiros lockdowns, os crimes violentos e homicidios diminuíram em diferentes países ao redor do mundo, mas à medida em que as restrições foram levantadas as manifestações violentas começaram a crescer”.

Embora a Europa tenha experimentado também muitos protestos no ano passado, a região continua sendo a mais pacífica do mundo. No entanto, a instabilidade política aumentou em todo o continente, juntamente com os principais indicadores de militarização, incluindo os gastos com despesas militares, importação de armas e as capacidades de armas nucleares e pesadas.

O estudo ainda observou que, durante a pandemia, os países com níveis mais elevados de paz exibiram também economias mais resistentes. Os países mais pacíficos registraram reduções de menos de 7% no total de horas trabalhadas pela população em geral, enquanto os países mais violentos chegaram a 23% de queda, de acordo com o Instituto para Economia e Paz.

“Nos últimos três anos pudemos observar a volta do crescimento em gastos militares ao redor do mundo após cerca de meia década de queda. Este é um sinal preocupante para o futuro na medida em que há também aumento nas tensões internacionais e entre países”, avalia Thomas Morgan, Diretor Associado de Pesquisas do Instituto para Economia e Paz.

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