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Brasil assume presidência provisória do Conselho de Segurança

País quer avançar rumo a objetivo antigo: conseguir vaga permanente no órgão

Por Da Redação 1 fev 2011, 20h35

O Brasil assumiu nesta terça-feira a presidência temporária do Conselho de Segurança (CS) da Organização das Nações Unidas (ONU) por um mês. Apesar do período ser curto, o governo brasileiro quer aproveitá-lo para avançar em seu projeto de ocupar uma vaga permanente em um Conselho reformado e ampliado. Na pauta, pretende incluir um debate caro ao país: a necessidade de aumentar a atuação das forças de segurança da ONU para incluir o combate à pobreza.

A ideia vem do governo de Luiz Inácio Lula da Silva que, por mais de uma vez, defendeu que as forças de paz precisam também trabalhar em ações sociais. Esse é um dos objetivos da ação da Missão das Nações Unidas para Estabilização do Haiti (Minustah), comandada pelo Brasil. Na visão do governo brasileiro, a Minustah é um exemplo de atuação que deu certo e pode ser seguido. “O Brasil reconhece a importância de um tratamento multidimensional que leve em conta as causas do conflito, muitas vezes ligadas à pobreza. Isso se nota muito claramente quando se analisa a situação do Haiti, da Somália, do Congo. Há um substrato de dificuldade econômicas e sociais que deve ser levado em conta”, afirmou a embaixadora do Brasil na ONU, Maria Luiza Viotti, em entrevista à Rádio ONU.

O debate proposto pelo Brasil se encaixa na imagem que o país quer transmitir: um mediador imparcial, com ideias próprias e relações amistosas em todo o mundo e que tem como prioridade a defesa dos mais pobres. Um trunfo na eterna campanha brasileira por um assento permanente no Conselho, caso vingue a reforma que está sendo negociada há mais de uma década. O tema, que vai além da segurança, angaria simpatia entre os países em desenvolvimento. Mas não é visto da mesma maneira por potências, como Estados Unidos e Inglaterra. Para elas, desenvolvimento vem depois do final dos conflitos e o papel de ajudar os países a se reorganizar cabe às demais agências das Nações Unidas. A visão brasileira seria não apenas ingênua, mas também cara, de acordo com esta visão.

O debate proposto pelo Brasil vai ocorrer no próximo dia 11, em Nova York, e deve ter a presença do chanceler brasileiro, Antonio de Aguiar Patriota. Durante a presidência brasileira haverá ainda outros assuntos importantes a serem discutidos, como o referendo que deve dividir o Sudão em dois e possíveis sanções contra a Coreia do Norte.

Conselho – Esta é a décima vez que o Brasil ocupa um assento provisório no Conselho de Segurança, cargo para o qual foi eleito pela Assembleia Geral para o mandato 2010-2011. O órgão tem mais dez integrantes temporários, eleitos para períodos de dois anos, além dos cinco permanentes: China, Estados Unidos, Rússia, França e Reino Unido. Existem propostas de reformas nas Nações Unidas para aumentar o número de membros fixos. Mas as discussões avançam lentamente e, até hoje, não há uma perspectiva real de mudança. Além do Brasil, Japão, Alemanha e Índia já declararam abertamente suas candidaturas.

(Com Agência Estado)

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