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Boston: defesa de suspeito do atentado tentará evitar pena de morte

Dzhokhar Tsarnaev permanece internado em estado grave em um hospital em Boston. Ele foi preso na noite de sexta-feira, depois de uma longa perseguição policial

A Defensoria Pública de Boston tentará evitar o pedido de pena de morte no julgamento Dzhokhar Tsarnaev, suspeito de cometer atentado à Maratona de Boston preso na noite de sexta-feira. O órgão anunciou neste sábado que assumirá sua representação no tribunal assim que as acusações forem registradas. De acordo com juristas consultados pela agência Reuters, os argumentos deverão se concentrar na pouca idade do jovem, que tem 19 anos, e na procura por provas de que ele pode não ter sido o líder no ataque, mas seu irmão mais velho, Tamerlan Tsarnaev, morto em tiroteio com a polícia.

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As acusações contra Dzhokhar ainda não foram registradas pelo Ministério Público. Ele permanece em estado grave no hospital Beth Israel depois de levar um tiro no pescoço. De acordo com entrevista de um oficial do Departamento de Justiça dos Estados Unidos para o canal americano CNN, o suspeito pode ser acusado ainda neste domingo em sua cama no hospital.

Os promotores ainda precisam decidir do que ele será acusado e se incluirão o pedido de pena de morte – que precisa ser aprovado pelo procurador-geral da República americana. De acordo com advogado de defesa do estado de Virgínia Edward MacMahon, que representou um envolvido na conspiração do ataque de 11 de setembro de 2001, é muito provável que se busque a pena capital para o suspeito devido à brutalidade e ao destaque ao atentado. Apesar de esse tipo de pena não estar prevista na lei de Massachusetts, os promotores podem pedi-la no âmbito federal. A dimensão emocional do atentado pode levar a defesa a pedir para que o julgamento aconteça fora de Boston.

Combatente inimigo – Após a prisão de Dzhokhar, alguns congressistas republicanos, como os senadores Lindsey Graham e John McCain, pediram para o presidente Barack Obama considerar Dzhokhar como um “combatente inimigo”. A designação está prevista na lei de guerra do país e foi aplicada para os detentos de Guantánamo. Ela limitaria severamente suas proteções legais e, possivelmente, levaria seu julgamento para uma comissão militar e não para uma corte civil.

Essa possível adoção foi criticada por alguns advogados, que defenderam que não há necessidade ou justificativa para declará-lo inimigo. De acordo com o advogado de defesa de Nova York Robert Gottlieb, a designação seria arrogância e um tratamento inapropriado para um cidadão americano detido em território nacional. Dzhokhar é de etnia chechena, emigrou da Rússia quando criança e foi naturalizado americano. “Nossas cortes federais provaram ser mais efetivas e rápidas no caso de terrorismo do que os tribunais secretos”, disse.

Ligações externas – Neste domingo, os rebeldes do Cáucaso do Norte, região da Europa Oriental onde nasceram Dzhokhar e Tamerlan Tsarnaev, negaram qualquer envolvimento no atentado à Maratona de Boston. Em comunicado publicado em um site, o comando de Vilayat Dagestan Muyahidin disse que não executa nenhuma ação militar contra os Estados Unidos. “Apenas combatemos a Rússia, que não apenas é responsável pela ocupação do Cáucaso, mas também por crimes monstruosos contra os muçulmanos”, escreveu. De acordo com a imprensa americana, o FIB está investigando os possíveis vínculos entre os dois suspeitos e o movimento do Emirado do Cáucaso, do qual faz parte o grupo rebelde.

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As autoridades policiais americanas investigam se o irmão mais velho de Dzhokhar possuía ligação com extremistas islâmicos. Suspeita-se que ele tenha recebido treinamento em uma viagem de seis meses feita para Rússia em 2012. Tamerlan já havia sido investigado pelo FBI em 2011 a pedido do governo russo.

Além da idade e do questionamento sobre a cabeça por trás do atentado, Dzhokhar pode ter sua pena aliviada se oferecer informações julgadas como de valor para o governo americano. “Isso dependerá se ele tem alguma informação que o governo não conseguiria obter sozinho. Se ele disser que fez tudo sozinho, não ajudará muito”, disse o ex-advogado Donald Stern.

(Com agências AFP e Reuters)