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Boris Johnson sinaliza com antecipação de eleições no Reino Unido

Primeiro-ministro se vê ameaçado pelo Partido Trabalhista, que recebe apoio de uma parcela dos conservadores

O primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, convocou seu gabinete para reunião emergencial nesta segunda-feira, 2, para tratar de uma possível antecipação das eleições gerais no Reino Unido. Deverá ainda reunir-se com a bancada conservadora para ameaçar os membros não favoráveis ao Brexit sem acordo com a expulsão.

As eleições ocorreriam antes de 31 de outubro, o dia da saída do Reino Unido da União Europeia, segundo o jornal The Guardian. O anúncio não deve ser imediato. Johnson quer esperar as votações já programadas no Parlamento, que retoma suas atividades na terça-feira, mas entrará novamente em recesso por determinação do primeiro-ministro.

Johnson está pressionado por uma parcela de seu partido que não quer que o Brexit ocorra sem um acordo com os europeus. Essa hipótese não só tragaria a nação a uma crise econômica como colocaria em risco a paz entre a Irlanda (europeia) e a Irlanda do Norte (britânica).  Os conservadores preocupados com esse cenário se dispuseram a votar com a oposição trabalhista, liderada por Jeremy Corbyn.

Em último caso, esses mesmos rebeldes conservadores estão se aliando à oposição para para assumir o controle do Parlamento e atar as mãos do governo com uma legislação que impediria um Brexit sem acordo. Com o controle do Legislativo, Corbyn terá as condições para ver aprovada uma moção de censura contra Johnson e assumir o posto de primeiro-ministro.

“Se não votarem com o governo na terça-feira, eles (os conservadores rebeldes) estarão destruindo a posição de negociação do governo e entregando o controle do Parlamento a Jeremy Corbyn”, disse uma fonte do gabinete responsável por angariar votos, que é responsáveis pela disciplina partidária.

“Qualquer membro conservador do Parlamento que fizer isso será destituído como angariador de votos e não será um candidato conservador em uma eleição”, completou.

Mais de três anos depois de 52% do Reino Unido ter decidido  deixar a União Europeia por meio de um referendo, ainda não está claro em que termos nem mesmo se o Brexit acontecerá em 31 de outubro.

Corbyn, líder socialista veterano dos trabalhistas, dirá nesta segunda-feira que está pronto para fazer todo o possível para evitar um Brexit sem um pacto, descrevendo tal esforço como uma última tentativa de afastar “nosso país do abismo”.

No xadrez parlamentar a respeito do Brexit, tampouco está claro qual será a reação de Johnson se a aliança de rebeldes conservadores e siglas opositoras conseguir derrotar seu governo.

(Com Reuters)