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Boris Johnson diz apoiar povo de Hong Kong em embate com a China

Favorito à sucessão de Theresa May defende solução 'um país, dois sistemas' e reforça bloqueio à Huawei em áreas cruciais do Reino Unido

Candidato mais forte ao posto de primeiro-ministro do Reino Unido, o conservador Boris Johnson disse apoiar o povo de Hong Kong a cada passo e alertou a China que a fórmula “um país, dois sistemas”, que garante a autonomia da cidade, não deveria ser descartada.

“O povo de Hong Kong está perfeitamente em seu direito de estar muito cético, muito apreensivo com as propostas de extradição ao continente, que poderiam ter motivação política, que poderiam ser arbitrárias e violar seus direitos humanos”, disse Johnson afirmou em entrevista à Reuters.

“Então sim, eu o apoio e o defenderei e apoiarei com prazer a cada passo do caminho. E enfatizarei a nossos amigos de Pequim que a abordagem ‘um país, dois sistemas’ funcionou, está funcionando e não deveria ser descartada”, afirmou o congressista, um dos mais arraigadores defensores da saída do reino Unido da União Europeia (Brexit).

O Reino Unido tem pressionado a China a honrar seus compromissos de proteger as liberdades de Hong Kong depois de a polícia usar gás lacrimogêneo para dispersar manifestantes. Eles protestavam contra um projeto de lei de extradição para a China de suspeitos de cometer crimes, que agora está suspenso.

Nas últimas semanas, Hong Kong foi abalada pelos maiores protestos na China desde 1989, quando multidões pró-democracia se manifestaram na Praça da Paz Celestial, em Pequim.

Na segunda-feira 1, centenas de manifestantes do território sitiaram e invadiram o Parlamento após uma manifestação que lembrou o aniversário de sua devolução de Hong Kong ao controle chinês, em 1997.

A turbulência foi desencadeada por um projeto de lei de extradição que, segundo críticos, minaria o tão valorizado Judiciário independente e daria a Pequim o poder de processar ativistas em tribunais da China continental, que são controlados pelo governo de Xi Jinping.

Sobre o Brexit, Johnson prometeu que o Reino Unido deixará a União Européia em 31 de outubro com ou sem acordo. Ele disse não acreditar que o Parlamento britânico irá impedir o Reino Unido de sair, mesmo que não haja um acordo.

“O que eu quero é um Brexit sensato que seja apoiado por ambos os lados do canal, mas temos que sair até 31 de outubro e fazê-lo até lá no mais tardar”, disse Johnson, de 55 anos.

Johnson está disputando o cargo de premiê com o ministro das Relações Exteriores, Jeremy Hunt. Os resultados de uma votação de cerca de 160 mil membros do Partido Conservador sobre quem deveria ser seu líder e o próximo primeiro-ministro serão anunciados em 23 de julho.

Huawei

As relações britânicas com Pequim também se complicaram no governo da premiê Theresa May, que está deixando o cargo, devido a um desentendimento com Washington a respeito do banimento da chinesa Huawei das redes de telecomunicações 5G. Os Estados Unidos alegam que as operações da empresas implicam em risco para a segurança.

O Conselho de Segurança Nacional britânico debateu a Huawei em abril, e uma decisão preliminar afastou a empresa de todas as áreas cruciais da rede 5G. Mas lhe concedeu acesso a áreas não-cruciais.

Johnson disse que empresas chinesas são bem-vindas em seu país, “mas não se deve esperar que o Reino Unido faça algo para comprometer sua infraestrutura vital de segurança nacional”.

(Com Reuters)