Bombeiros acusam Israel de provocar deliberadamente incêndios florestais no Líbano
Segundo moradores e equipes de emergência, áreas de mata e plantações no sul do país foram atingidas por munições incendiárias israelenses
Bombeiros e moradores do sul do Líbano acusam as forças israelenses de provocar deliberadamente incêndios em áreas de vegetação, oliveiras e terras agrícolas da região. Segundo declarações do chefe da Defesa Civil da região de Nabatieh, Hussein Fakih, ao jornal britânico The Guardian, o Exército lançou sinalizadores em direção a uma área arborizada nos arredores de Khiam, no sul do Líbano, provocando vários incêndios nesta terça-feira, 11.
“Hoje, a maior parte das nossas missões está relacionada a incêndios”, afirmou Fakih, acrescentando que entre 30% e 40% das áreas próximas à linha de frente foram afetadas pelo fogo. O chefe da Defesa Civil também relatou o uso de pequenos drones para lançar materiais incendiários, além de projéteis de fósforo branco e sinalizadores.
Na última sexta-feira, munições israelenses provocaram incêndios em duas áreas de mata, uma delas próxima a Kfarchouba e outra entre Jezzine e o Vale do Bekaa Ocidental. O chefe da unidade da Defesa Civil da área, Samir Hardan, afirmou que um drone iniciou o incêndio que atingiu uma região de floresta próxima a Kfarchouba.
O trabalho dos bombeiros também é limitado pelas condições de segurança. As equipes precisam coordenar seus deslocamentos com o Exército libanês, que transmite os pedidos aos militares israelenses. Segundo Hardan, a autorização para combater os incêndios foi concedida em apenas dois pontos, enquanto outras áreas continuaram em chamas.
As forças israelenses afirmaram anteriormente que o Hezbollah — grupo político cujo braço armado trava uma guerra contra Israel — utilizou áreas florestais como cobertura para seus combatentes e túneis. Desde o início dos confrontos, em outubro de 2023, regiões de mata do sul do Líbano foram repetidamente atingidas.
O uso de fogo em áreas próximas à fronteira já havia sido denunciado anteriormente. Em 2024, o Exército libanês divulgou imagens de drones israelenses equipados com mangueiras para espalhar materiais inflamáveis sobre florestas. Especialistas ambientais também acusaram Israel de lançar herbicidas associados a riscos à saúde sobre áreas agrícolas do sul do Líbano.
Cessar-fogo abalado
O Irã exigiu o fim da guerra no Líbano como parte de seu acordo provisório com Washington, assinado no mês passado, mas o pacto foi abalado pela retomada das hostilidades entre Estados Unidos e Irã pouco tempo depois.
Em 26 de junho, representantes de Israel e Líbano chegaram a um acordo preliminar com o objetivo de encerrar a guerra. O Hezbollah, no entanto, rejeitou o pacto que previa seu desarmamento.
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O confronto entre Israel e o Hezbollah se intensificou em 2 de março, quando o grupo libanês passou a lançar foguetes contra o território israelense em apoio ao Irã. A resposta israelense incluiu uma ampla campanha de bombardeios e uma ofensiva terrestre no sul do Líbano.
Segundo o Ministério da Saúde libanês, mais de 4. 100 pessoas morreram desde o início da escalada militar, embora o governo não diferencie civis de integrantes do Hezbollah entre as vítimas. O conflito também provocou o deslocamento de mais de um milhão de pessoas.
Do outro lado, pelo menos 32 soldados israelenses e quatro civis israelenses foram mortos pelo Hezbollah, a maioria deles no sul do Líbano, desde que os últimos combates eclodiram.







