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Bombardeio contra hospital no Iêmen deixa 6 mortos

Ao menos seis pessoas morreram e vinte ficaram feridas, dois dias após um ataque aéreo matar dez crianças iemenitas

A coalizão liderada pela Arábia Saudita bombardeou nesta segunda-feira um hospital em uma província sob controle rebelde no norte do Iêmen, deixando seis mortos e 20 feridos, 48 horas após ataques aéreos que mataram 10 crianças iemenitas.

A ONG Médicos Sem Fronteiras (MSF), que possui uma equipe nesse centro de atendimento, confirmou no Twitter “que o hospital de Abs (na província de Hajja) foi atingido por bombardeios aéreos hoje às 15h45 locais (09h45 de Brasília)”. Seu porta-voz, Malak Shaher, informou que a organização tem uma equipe própria neste hospital público desde 2015.

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Citado pelo site da agência de notícias rebelde sabanews.net, Ayman Mazkour, encarregado do departamento de saúde da província de Hajja, afirmou que seis pessoas morreram e 20 ficaram feridas nos ataques. Moradores de Abs disseram que a coalizão visou nos últimos dias posições rebeldes na cidade.

Estes bombardeios acontecem menos de 48 horas depois que a MSF acusou a coalizão de matar 10 crianças ao bombardear uma escola corânica em Saada, outra província rebelde do norte iemenita. A coalizão alegou que se tratava de um campo de treinamento de rebeldes, onde havia soldados menores de idade. Ainda assim, afirmou que investigará o incidente.

Investigação

A Anistia Internacional lamentou os ataques contra o hospital “que causaram vítimas entre os civis e pessoal médico”. “Atacar intencionalmente instalações médicas é uma grave violação do direito humanitário e pode constituir um crime de guerra”, disse a organização.

Abs está localizada nos limites da cidade de Harad, perto da fronteira com a Arábia Saudita. É a partir de Abs que os rebeldes iemenitas lançam com certa frequência ataques contra regiões sauditas perto da fronteira, causando vítimas.

Frequentemente bombardeada pela coalizão, Harad é também o palco de violentos combates entre as forças governamentais apoiadas pelas tropas da coalizão e os rebeldes xiitas houthis.

Fontes militares pró-governo disseram que veículos militares haviam transferido de Harad rebeldes feridos ao hospital de Abs, sugerindo que os ataques tinham como alvo este estabelecimento por este motivo.

A coalizão e a Arábia Saudita são regularmente acusadas de atacar, ainda que por erro, civis, inclusive crianças.

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Nesta segunda-feira, a coalizão árabe anunciou que autorizou a retomada dos voos humanitários no aeroporto internacional da capital Sanaa, que havia sido fechado aos voos civis após a retomada dos ataques aéreos.

Originários do norte do Iêmen, os houthis se levantaram contra o poder do presidente Abd Rabbo Mansour Hadi em 2014, tomando grandes porções de território, incluindo a capital Sanaa.

Em março de 2015, a vizinha sunita Arábia Saudita, que acusa os houthis de ligações com o Irã, assumiu a liderança de uma coalizão militar árabe para parar o avanço dos rebeldes por meio de bombardeios aéreos e combates no terreno.

Desde então, a guerra fez mais de 6.400 mortos e 30.000 feridos, incluindo muitos civis.

(Com AFP)