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Bombardeios atingem Damasco em último dia de ‘trégua’

Cada um dos lados culpa o outro pelas violações ao cessar-fogo no feriado islâmico Eid al-Adha, organizado pelo enviado internacional Lakhdar Brahimi

Por Da Redação - 29 out 2012, 12h04

Jatos sírios bombardearam subúrbios de Damasco e um carro-bomba matou pelo menos dez pessoas na capital nesta segunda-feira, o último dia de uma trégua de quatro dias acertada na última semana mas que o próprio chefe da ONU, Ban Ki-moon, reconheceu ter falhado. Cada lado culpa o outro por violações ao cessar-fogo durante o feriado islâmico Eid al-Adha, que havia sido negociado pelo enviado internacional Lakhdar Brahimi. O enviado das Nações Unidas e da Liga Árabe prometeu prosseguir com seus esforços de paz na Síria.

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“Estou profundamente desapontado que as partes não tenham respeitado o chamado para suspender os combates”, disse Ban Ki-moon em Seul, onde recebeu um prêmio de paz. “Esta crise não pode ser resolvida com mais armas e derramamento de sangue. As armas devem ficar em silêncio”, acrescentou.

Após reunião com o chanceler russo, Sergei Lavrov, em Moscou, Brahimi expressou pesar pelo cessar-fogo que não ocorreu. “A crise síria é muito perigosa. A situação é ruim e está piorando, afirmou. “Se isto não é uma guerra, então não sei o que é”. Perguntado se soldados da ONU poderiam ser enviados para a Síria, ele disse que não há planos imediatos para isso.

Embora o governo de Bashar Assad e diversos grupos rebeldes tenham aceitado o plano para interromper os combates durante o feriado religioso muçulmano, o cessar-fogo não conseguiu conter o derramamento de sangue, em um conflito de 19 meses que já custou pelo menos 32.000 vidas. De acordo com o Observatório Sírio para os Direitos Humanos, uma organização de ativistas da oposição, 420 pessoas foram mortas desde sexta-feira.

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Brahimi, que visitará Pequim depois de Moscou, disse que a nova onda de violência na Síria não o desanimou. “Nós pensamos que esta guerra civil tem que terminar. E a nova Síria tem que ser construída por todos os seus filhos”, disse. “O apoio da Rússia e de outros membros do Conselho de Segurança (da ONU) é indispensável.”

Rússia e China vetaram três projetos de resolução condenando o governo de Assad pela violência. Pequim tem se esforçado para mostrar que não toma partido da Síria e pediu que o regime Assad converse com a oposição e tome medidas para atender às demandas por uma mudança política.

Confrontos – Moradores de Damasco relataram ataques aéreos pesados ​​sobre os subúrbios de Qaboun, Zamalka e Irbin durante a noite de domingo e também nesta segunda-feira. Os moradores disseram que os ataques foram os mais violentos desde que caças e helicópteros bombardearam as primeiras posições pró-oposição em partes do capital, em agosto.

A televisão estatal síria disse que mulheres e crianças estavam entre os mortos em consequência de um “carro-bomba terrorista” perto de uma padaria em Jaramana, no sudeste de Damasco. Moradores de Damasco dizem que o bairro é controlado por leais a Assad. A imprensa estatal disse que opositores a Assad armados quebraram a trégua nos últimos dias.

“Pelo quarto dia consecutivo, os grupos armados terroristas em Deir al-Zor continuaram a violar a declaração sobre a suspensão das operações militares com a qual as forças armadas se comprometeram”, disse a imprensa estatal, acrescentando depois que os rebeldes atacaram as forças do governo em Alepo e na cidade central de Homs.

Os ataques aéreos em Damasco ocorreram após o que os moradores disseram terem sido tentativas fracassadas das tropas do governo de tomar a parte leste da cidade. “Os tanques estão posicionados em torno de Harat al-Shwam, mas não estão conseguindo entrar. Eles tentaram há uma semana”, disse um ativista que vive perto da área e que pediu para não ser identificado.

(Com agências Reuters e France-Presse)

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