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Bombardeio atinge leste da Ucrânia enquanto comboio russo avança

Na Crimeia, Putin fala em acabar com confronto ‘o mais rápido possível’

As tensões aumentaram nesta quinta-feira no leste da Ucrânia, controlado por separatistas pró-Moscou, no momento em que um comboio humanitário russo se aproxima da fronteira com o país vizinho. Bombardeios atingiram pela primeira vez áreas perto do centro da cidade ucraniana de Donetsk. Pessoas saíram de seus escritórios e correram para a escadaria do prédio principal da administração municipal depois que explosões próximas provocaram um alerta.

Enquanto isso, pelo menos 270 caminhões que a Rússia afirma estarem levando suprimentos para a população atingida pelo conflito no leste avança em direção à Ucrânia, apesar da indefinição sobre qual será o destino final dos veículos. O comboio deveria ter chegado a um posto de controle na Carcóvia na quarta, mas mudou a rota, numa indicação de que não houve acordo para receber a carga. A Ucrânia afirma que os caminhões não foram inspecionados e, portanto, não poderiam entrar no país.

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O governo ucraniano anunciou que também está enviando ajuda humanitária para a região em três comboios destinados às cidades de Carcóvia e Dnipropetrovsk. Os veículos estão levando 800 toneladas em alimentos e medicamentos. Kiev desconfia que o comboio russo possa ser usado como um disfarce para uma invasão militar russa no leste ucraniano, o que o Kremlin obviamente nega. (Continue lendo o texto)

Putin na Crimeia – O presidente Vladimir Putin, em visita à Crimeia, afirmou que a Ucrânia enfrenta um “caos sangrento” e acrescentou que a Rússia “fará tudo o que estiver em seu poder para acabar com o conflito o mais rápido possível, para que não haja mais derramamento de sangue”. Pediu ainda que os russos se mobilizem “mas não para a guerra ou qualquer tipo de confronto”. “Nós devemos construir nosso país, não isolá-lo do mundo exterior”, ressaltou, em declarações reproduzidas pela rede britânica BBC.

Apesar do tom aparentemente conciliatório, Putin também anunciou a aprovação de planos de criação de uma força-tarefa militar russa na Crimeia. A península no sul da Ucrânia foi anexada pela Rússia em março deste ano, desencadeando reações do Ocidente no sentido de isolar o governo Putin por meio de sanções contra aliados do presidente e empresas russas.

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Nesta quinta, o Parlamento da Ucrânia aprovou uma lei para também impor sanções contra companhias e cidadãos russos que apoiem e financiem os rebeldes. A medida será voltada a 172 pessoas da Rússia e também de outros países e 65 empresas, incluindo a gigante petrolífera Gazprom, que foi apontada como “financiadora do terrorismo”.

Depois da anexação da península, a tensão na Ucrânia deslocou-se para o leste. Nas últimas semanas, os confrontos na região foram intensificados, com a operação de Kiev para tentar expulsar os separatistas. Segundo a ONU, mais de 2.086 pessoas foram mortas na região desde meados de abril, com um salto no número de vítimas nos últimos quinze dias.

(Com agência Reuters)