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Bolsonaro se reunirá com presidente da China antes de cúpula do G20

Encontro com Xi Jinping se dará em momento de discussão interna do governo brasileiro sobre restrições à Huawei, já vetada pelos EUA

O presidente Jair Bolsonaro confirmou encontro bilateral com o líder chinês, Xi Jinping, na próxima sexta-feira, 28, antes de sua estreia na cúpula de líderes do G20 em Osaka, no Japão. A reunião se dará em um momento em que o governo brasileiro avalia a restrição parcial ou completa à atuação da Huaiwei, a fornecedora mundial de tecnologia 5G.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, acusa a Huawei de operar uma rede de espionagem internacional a favor de Pequim e pressiona outros países a também vetar a empresa em seus territórios, inclusive o Brasil.

“Queremos entender melhor quais são os eventuais problemas, diante de uma perspectiva técnica, que podem ser identificados na tecnologia da Huawei. É um trabalho que precisa ser feito, porque nós sabemos que existem preocupações americanas. Queremos entender melhor quais são elas e estamos trabalhando diretamente nessa questão”, afirmou  o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, a VEJA (leia a íntegra).

“Muitos outros países também têm duvidas com relação a isso, então queremos compreender a questão técnica. É claro que tem a ver com as preocupações de segurança”, completou.

Em visita em maio à China, o vice-presidente, general Hamilton Mourão se reuniu com o presidente-executivo da Huawei, Ren Zhengfei, e disse que o Brasil não pretendia restringir as atividades da gigante de tecnologia, apesar das pressões americanas.

Na conversa com Xi, Bolsonaro insistirá na necessidade de o Brasil exportar para a China alimentos e minérios com maior valor agregado. Hoje, o comércio entre os países está baseado na exportação brasileira de commodities e na importação de produtos manufaturados chineses. A China é o principal destino dos embarques do país.

Segundo o jornal Folha de S.Paulo, Bolsonaro e Xi também devem tratar de suas visitas recíprocas. O brasileiro tem viagem oficial à China prevista para agosto, e o líder chinês deverá estar no Brasil em novembro para participar da Reunião Cúpula dos BRICS, grupo de economias emergentes que inclui também Rússia, Índia e África do Sul.

O encontro dos líderes representa uma adequação da postura do presidente brasileiro que, durante sua campanha eleitoral, dizia que a China “estava comprando o Brasil”. Desde o início do governo, Bolsonaro fez gestos de aproximação entre os dois países, deixando para trás a fala de candidato.

Em maio, a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, viajou à China para tratar das relações comerciais com os asiáticos. Em visita a Roma na última semana, ela apoiou a candidatura do vice-ministro da Agricultura da China, Qu Dongyu, para a liderança da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO). Dongyu foi eleito e substituirá o brasileiro José Graziano. 

Também em maio, Hamilton Mourão viajou a Pequim para participar da reunião da Comissão Sino-Brasileira de Alto Nível de Concertação e Cooperação (Cosban). Durante o encontro, ao lado do vice-dirigente chinês, Wang Qishan, ele discutiu temas como fabricação e venda de aviões da Embraer para os chineses.

Brasil menos isolado

Em paralelo ao encontro do G20, Bolsonaro vai liderar reunião dos Brics, uma preparatória do encontro anual no Brasil. A reunião deverá estar contaminada pelo mesmo tema que tenderá a consumir o G20: a guerra comercial entre Estados Unidos e China e seus desdobramentos para o restante do mundo, em especial para os sócios do grupo emergente.

Esta será ainda a primeira participação de Bolsonaro em uma reunião do G20. Além do encontro bilateral com Xi e da reunião do Brics, ele deverá se reunir com o primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe. O encontro, porém, não foi ainda confirmado.

O governo da China anunciou nesta segunda-feira que aproveitará o G20 para um encontro paralelo de Xi com os presidentes da Rússia, Vladimir Putin, e da Índia, Narendra Modi. Os três países são membros do BRICS. O comunicado não justificou as ausências de convites para Bolsonaro e o líder sul-africano, Cyril Ramaphosa, mas certamente os temas a serem tratados extrapolem os das alçadas do Brasil e da África do Sul, ambos sem territórios asiáticos.