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Bolsonaro na ONU: ‘Somos contra qualquer obrigação relacionada à vacina’

Presidente defendeu a atuação de seu governo durante a pandemia e culpou as restrições implementadas por governadores e prefeitos pelo desemprego e inflação

Por Julia Braun Atualizado em 21 set 2021, 11h41 - Publicado em 21 set 2021, 11h04

Em discurso na 76ª sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas nesta terça-feira, 21, o presidente Jair Bolsonaro defendeu a atuação de seu governo durante a pandemia de Covid-19 e culpou as restrições implementadas por governadores e prefeitos pelo desemprego e inflação. O líder brasileiro ainda se posicionou contra a vacinação obrigatória e elogiou o tratamento precoce.

Apoiamos a vacinação, contudo o nosso governo tem se posicionado contrário ao passaporte sanitário ou a qualquer obrigação relacionada à vacina”, disse Bolsonaro, que afirmou ainda que até novembro, todos que escolheram ser imunizados no Brasil serão atendidos. 

O presidente ainda usou seu discurso para defender o uso do tratamento precoce em casos de Covid-19. “Desde o início da pandemia apoiamos a autonomia do médico na busca do tratamento precoce. Eu mesmo fui um desses que fez tratamento inicial”, disse, sobre ter tomado cloroquina quando teve a doença. “Não entendemos por que muitos países, juntamente com grabnde parte da mídia, se colocaram contra o tratamento inicial”. 

“A história e a ciência saberão responsabilizar a todos”, afirmou Bolsonaro sobre o uso do tratamento precoce, que foi desaconselhado por médicos e cientistas em todo o mundo. 

O líder brasileiro também advogou a favor das ações tomadas por seu governo na economia durante a pandemia, citando o auxílio emergencial e o incentivo para a geração de empregos. “Lamentamos todas as mortes ocorridas no Brasil e no mundo”, afirmou. “Sempre defendi combater o vírus e o desemprego de forma simultânea e com a mesma responsabilidade. As medidas de isolamento e lockdown deixaram legados de inflação, em especial nos gêneros alimentícios no mundo todo”. 

Meio ambiente e democracia

Jair Bolsonaro também dedicou parte de seu discurso para tratar de temas ambientais e lembrar as manifestações a favor de seu governo no último dia 7 de setembro, que chamou de “maior manifestação de nossa história”.

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“Temos a família tradicional como fundamento da civilização. E a liberdade do ser humano só se completa com a liberdade de culto e expressão”, disse Bolsonaro, que afirmou ainda, sem provas, que o Brasil estava “à beira do socialismo” antes de seu governo.

“O Brasil tem um presidente que acredita em Deus, respeita a Constituição e seus militares, valoriza a família e deve lealdade a seu povo. Isso é muito, é uma sólida base, se levarmos em conta que estávamos à beira do socialismo”, disse.

O líder ainda afirmou que o Brasil mudou desde que ele assumiu o Planalto em 2019. “Estamos há 2 anos e 8 meses sem qualquer caso concreto de corrupção”, disse. A família do presidente, porém, foi acusada de envolvimento em um esquema de rachadinha na Câmara dos Deputados. A CPI da Covid também apura irregularidades nas negociações do Ministério da Saúde para a compra de vacinas contra o novo coronavírus. 

Sobre a proteção ambiental, o presidente escolheu destacar a geração de energia de fontes renováveis e o Código Florestal brasileiro. Também cobrou as potências mais desenvolvidas por investimentos na área. “Esperamos que os países industrializados cumpram efetivamente seus compromissos com o financiamento de clima em volumes relevantes”, disse.

Setor privado e investimentos

No início do discurso, Bolsonaro ainda dedicou alguns minutos ao autoelogio da atuação de seu governo na economia. Citou o lucro das empresas estatais e o programa de parceria de investimentos com a iniciativa privada.

“Temos tudo o que investidor procura: um grande mercado consumidor, excelentes ativos, tradição de respeito a contratos e confiança no nosso governo”, disse. O presidente ainda anunciou a realização do leilão para implementação da tecnologia 5G no Brasil nos próximos dias.

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