Group 21 Copy 4 Created with Sketch.

Bolívia: ordenada prisão de principal opositor de Evo Morales

Um juiz emitiu nesta segunda-feira uma ordem de prisão contra o governador de Santa Cruz, Rubén Costas, considerado o principal opositor do presidente Evo Morales, anunciou à AFP a autoridade judicial.

“Rubén Costas foi declarado em rebeldia e sua prisão foi determinada”, afirmou o juiz Orlando Rojas. A ordem de prisão só poderá ser cumprida a partir de 2 de janeiro devido ao recesso no Poder Judiciário que se inicia nesta segunda-feira, por conta das festas de fim de ano.

Rojas afirmou que a determinação prevê a permanência de Costas – único governador opositor de Morales que continua no poder – na cidade até 2 de janeiro.

A detenção de Costas foi decidida com o propósito de que ele “se apresente perante a autoridade jurisdicional para que se desenvolva a audiência correspondente”, já que o governador de Santa Cruz não foi à sessão para a qual foi convocado e também não justificou sua ausência.

Costas é alvo de um processo em La Paz por declarações feitas em julho nas quais acusava o governo de receber dinheiro do narcotráfico. As falas foram consideradas ofensivas pelo vice-presidente Álvaro García Linera.

O processo contra o governador manteve-se apesar de Costas ter afirmado que sua declaração tinha sido mal interpretada, e que ele não quis dizer que o governo recebia dinheiro do narcotráfico, mas apenas citava as apreensões de drogas.

Costas negou-se a ir a La Paz para responder diante da Justiça, argumentando que qualquer processo contra ele deveria tramitar em sua jurisdição, Santa Cruz.

A ordem de prisão “não me preocupa”, disse à imprensa nesta segunda-feira, completando que o mais importante neste momento “é o que acontece em Beni” (departamento do nordeste do país), cujo governador, o opositor Ernesto Suárez, foi suspenso na sexta-feira por supostas irregularidades econômicas, fato qualificado por ele como “um atentado à democracia”.

Suárez, outro opositor de Morales, foi suspenso de seu cargo pela Assembleia Departamental, que se valeu de uma lei federal que permite retirar uma autoridade de seu cargo somente com acusações judiciais contra ela, sem necessidade de uma decisão.

Costas anunciou que na próxima quarta-feira irá a Beni para expressar sua solidariedade com Suárez e argumentou que com estas acusações “o governo busca tapar com cortinas de fumaça todos os desacertos”.

O governador de La Paz, César Cocarico, governista, justificou a ordem de captura contra seu colega argumentando que se trata de uma ação “jurídica e não política”, pois “quando alguém comete crimes deve estar sujeito a processo”.

A deputada de oposição Elizabeth Reyes convidou o presidente Morales a “não usar o Ministério Público para processar seus opositores”.

Costas é considerado o principal líder opositor do presidente esquerdista Morales, contra quem liderou uma forte resistência entre 2005 e 2008 junto aos governadores dos departamentos de Beni, Pando e Tarija.

Esses três governadores já estão fora do poder. Suárez acaba de ser destituído em Beni; Leopoldo Fernández, governador de Pando, foi enviado à prisão em 2008 acusado de liderar uma revolta que deixou cerca de 20 mortos: Mario Cossío, que governava Tarija, foi destituído por supostos descontroles econômicos e atualmente está exilado no Paraguai.

O governismo recorreu à via legal para neutralizar outros opositores. Assim, conseguiu a suspensão dos prefeitos de Sucre e Potosí, e existe um processo pendente contra a prefeitura de Oruro.

A lista inclui processos contra políticos de oposição como Samuel Doria Medina e Manfred Reyes Villa, que competiu na última eleição com Evo Morales e hoje está nos Estados Unidos.