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Bolívia: indígenas exigem, em La Paz, a construção de estrada polêmica

Milhares de indígenas da Amazônia chegaram nesta segunda-feira a La Paz, ao final de uma caminhada de 400 quilômetros em 40 dias para exigir que o presidente boliviano, Evo Morales, autorize a construção de uma estrada através de uma reserva natural, proibida em 2011 sob a pressão de outros nativos.

A marcha foi aplaudida nas cidades de El Alto e La Paz – a 12 km de distância uma da outra – por vizinhos e organizações sociais, a maioria ligadas ao partido do governo, solidárias aos indígenas que exigem de Morales a anulação de uma lei proibindo a passagem da rota entre Villa Tunari e San Ignacio de Moxos.

Três meses antes, uma outra marcha – que contou com o apoio da oposição e teve ampla cobertura da imprensa- arrancou de Morales a lei, também aprovada pelo Congresso, que veta a passagem da estrada pela reserva ecológica da região de Tipnis.

O trecho da estrada Villa Tunari-San Ignacio de Moxos, que ia atravesar Tipnis está paralisada, e ia ser construído pela empresa brasileira OAS com um empréstimo de 332 milhões de dólares, também proveniente do Brasil.

A caminhada -realizada por membros de 41 comunidades de diversas etnias amazônicas- que chegou a La Paz pedirá a Morales a anulação da lei, iniciando uma vigília na cidade, segundo seu principal dirigente Gumercindo Pradel.

Com os pés inchados e evidentes sinais de cansaço pelo esforço, David Ibañez, que andou em companhia da esposa e do filho pequeno, explicou à AFP que “a estrada significa desenvolvimento para San Ignacio de Moxos (onde) vivemos isolados, e também para a Bolívia”.

Segundo ele, “foram os próprios dirigentes da CIDOB (Confederação de Povos Indígenas da Bolivia, que impuseram, em outubro, o veto à construção) e, hoje, colocaram lá inúmeras madereiras que destroem o país.

Metros mais além uma mulher, Marina Moreno, originária de San Ignacio de Moxos, no coração da Amazônia, declara que “queremos a estrada e somos contra a lei que declara a região reserva ecológica”.

A ministra da Comunicação, Amanda Dávila, propôs, no palácio presidencial ‘Quemado’ que “os problemas sejam resolvidos pelo diálogo”.