Bolívia apreende quase 200kg de ouro em avião de empresário brasileiro
Valdir José Zorzo, proprietário da aeronave, é dono do grupo Dallas. A empresa sul-mato-grossense do ramo alimentício negou envolvimento
A Força Especial de Combate ao Crime (FELCC) da Bolívia apreendeu 189 quilos de ouro em um jatinho particular com destino a Dubai, nos Emirados Árabes Unidos. A aeronave fazia uma passagem pelo Aeroporto Internacional de Viru Viru, em Santa Cruz de La Sierra, quando a carga avaliada em mais de R$20 milhões foi confiscada. De acordo com as autoridades bolivianas, o veículo pertence ao empresário Valdir José Zorzo, dono do grupo sul-mato-grossense Dallas, do ramo alimentício. A empresa contudo, negou que o avião tenha sido apreendido; em paralelo, afirmou estar em colaboração com as autoridades competentes.
O caso foi divulgado nesta terça-feira, 28, pelo órgão aduaneiro, mas ocorreu na quarta-feira passada, 22, quando agentes identificaram irregularidades na documentação apresentada para a exportação de 77 barras de ouro. Um homem de 22 anos foi preso ao tentar embarcar na aeronave com quatro malas que transportavam a carga milionária. Ele foi encaminhado para a prisão de Palmasola, a maior e mais super-lotada do país, enquanto as autoridades seguem com a investigação.
De acordo com o inquérito da polícia boliviana, o minério foi levado de La Paz para Santa Cruz por uma empresa de segurança e, posteriormente, conduzido ao terminal do aeroporto para embarcar no jatinho. Enquanto os fiscais aduaneiros faziam a análise dos documentos, porém, surgiram dúvidas que motivaram a realização de uma intervenção policial.
De acordo com a FELCC, os agentes descobriram que um dos formulários preenchidos teria sido falsificado. Além disso, o Serviço Nacional de Registro e Controle da Comercialização de Minerais e Metais (Senarecom) informou que a documentação apresentada não possuía registro válido em seus sistemas, o que reforçou as suspeitas de ilegalidade da exportação.
Reação das autoridades bolivianas
“Santa Cruz não pode se tornar uma rota de fuga para atividades ilícitas”, disse Juan Pablo Velasco, governador de Santa Cruz, em suas redes sociais. “É difícil não criticar o que está acontecendo. Hoje, Santa Cruz está de volta às manchetes nacionais, e não por causa do nosso trabalho, da nossa produção ou do nosso crescimento: por causa da corrupção”, ressaltou Velasco em nota.
O governador também destacou que o ouro contrabandeado na Bolívia é usado para financiar projetos que nunca chegarão à população e que todos os bolivianos são afetados. “Exigimos uma apuração precisa de quantos royalties Santa Cruz e a Bolívia perderam por causa disso”, acrescentou.
Velasco ainda pediu, no comunicado, que as autoridades esclareçam as circunstâncias do caso. “Solicitamos que o Ministério Público, o Serviço Nacional de Alfândega, a Senarecom, a Polícia Boliviana e as autoridades aeroportuárias esclareçam a origem e a propriedade do ouro, a autenticidade de toda a documentação apresentada, se os royalties, impostos e obrigações correspondentes foram cumpridos ou sonegados; as ações dos funcionários responsáveis pelos controles e a possível existência de uma rede dedicada ao tráfico ilegal de minerais “, afirmou o governador.
Em nota a VEJA, o grupo Dallas afirmou que o jatinho não foi apreendido, Valdir José Zorzo não estava a bordo e “não autorizou qualquer prática em desacordo com as leis vigentes”, estando em colaboração com as autoridades competentes no Brasil e no exterior.
Leia o comunicado na íntegra:
Diante das publicações que mencionam sr. Valdir José Zorzo e o Grupo Dallas, esclarecemos:
A aeronave de prefixo PS-ZRZ é de propriedade particular, destinada a uso próprio, e não opera serviços de fretamento comercial. Seu proprietário não estava a bordo e não autorizou qualquer prática em desacordo com as leis vigentes.
A informação de que a aeronave teria sido apreendida não é verídica. A aeronave encontra-se em território brasileiro e não está sujeita a qualquer medida de apreensão.
O Sr. Valdir Zorzo tomou conhecimento dos fatos por meio da imprensa e determinou a imediata apuração interna, com preservação integral dos registros e colaboração com as autoridades competentes, no Brasil e no exterior.
O sr. Valdir Zorzo e o Grupo Dallas repudiam qualquer prática ilícita e colocam-se à disposição das autoridades para o pleno esclarecimento dos fatos.
Em respeito ao sigilo das investigações em curso, o Grupo Dallas se posicionará em momento oportuno.







