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Bolívia acusa Evo Morales de terrorismo e volta a pedir sua prisão

Ex-presidente define ação contra ele como "ilegal"; Morales está refugiado na Argentina desde o ano passado, quando foi acusado de fraude eleitoral

Por Da Redação Atualizado em 7 jul 2020, 09h45 - Publicado em 7 jul 2020, 09h27

A Procuradoria-Geral da Bolívia acusou o ex-presidente Evo Morales, refugiado na Argentina, por supostas infrações terroristas e novamente solicitou sua prisão preventiva. Morales classificou como “ilegal e inconstitucional” a decisão do Ministério Público.

A acusação formal contra Morales (2006-2019) é pelos “crimes de terrorismo e financiamento do terrorismo por supostamente ter coordenado” com um líder plantador de coca, por telefone “o bloqueio alimentar e o cerco das capitais durante os conflitos de 2019”, afirmou a Procuradoria-Geral em comunicado divulgado nesta segunda-feira 6.

De seu exílio, o ex-presidente refutou a acusação: “De forma ilegal e inconstitucional, a Procuradoria de La Paz pretende me acusar de terrorismo com um áudio alterado e sem ser notificado”, escreveu no Twitter. Morales considerou a acusação “uma prova a mais da sistemática perseguição política do governo de facto”, em alusão à administração de Jeanine Añez. “Logo voltará a democracia e o Estado de Direito à Bolívia”, afirmou.

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Evo é investigado no chamado “Caso Áudio”, sobre uma gravação telefônica na qual uma voz atribuída a ele ordenava o bloqueio de cidades durante o conflito político e social na Bolívia ocorrido entre outubro e novembro de 2019. A acusação por supostos crimes de terrorismo e financiamento de atividades terroristas é baseada em uma conversa por telefone com Faustino Yucra, um dos líder dos produtores de coca do país.

É a segunda vez que a instituição judicial solicita a prisão de Morales. Em dezembro, solicitou sua prisão por sedição e terrorismo pelos mesmos eventos. Na época, anunciou que solicitaria sua prisão à Interpol, mas o processo não avançou. Em fevereiro, o Ministério Público abriu outro processo contra o ex-presidente por suposta fraude eleitoral, mas até agora não houve avanços.

“Na resolução de imputação, é solicitada prisão preventiva” de Morales, que renunciou após 14 anos após intensos protestos nas ruas pelo o que a OEA chamou de irregularidades nas eleições de outubro de 2019, nas quais tentava um novo mandato até 2025.

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Os procuradores baseiam sua acusação atual em perícias realizadas na Colômbia. “As amostras têm uma alta probabilidade de identificar a voz do Sr. Evo Morales Ayma”, segundo o comunicado. “Não deixe entrar comida nas cidades, vamos bloquear, cerco de verdade”, diz a voz na suposta ligação do ex-presidente ao líder do plantador de coca Faustino Yucra Yarmi.

Ao apresentar a gravação em novembro, o ministro do Interior, Arturo Murillo, descreveu como “um crime contra a humanidade” ordenar que “não entre comida nas cidades”. Yucra foi preso preventivamente em abril e levado a uma penitenciária na cidade boliviana de Santa Cruz sob acusações de terrorismo e insurreição como parte do mesmo processo judicial, que está em fase preliminar.

  • Entre outubro e novembro, a Bolívia atravessou uma convulsão que resultou a morte de 36 pessoas após as eleições, que foram anuladas. O Tribunal Supremo Eleitoral convocou novas eleições gerais para 3 de maio, adiadas para 6 de setembro devido à pandemia.

    O candidato do Movimento ao Socialismo (MAS), o partido de Morales, o economista Luis Arce, encabeça as pesquisas com 33,3% das intenções de votos, seguido do centrista Carlos Mesa, com 18,3%. A presidente Áñez é a terceira, com 16,9%, segundo pesquisas de março.

    Morales denunciou na semana passada uma “estratégia judicial” do governo interino de direita para tornar seu partido ilegal e tirar da disputa eleitoral Arce, seu afilhado político.

    (Com AFP e EFE)

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