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Boca de urna dá vitória a partido de Putin, mas sem maioria

Rússia Unida, que tem dois terços da Duma, recebeu 48,5% segundo pesquisa

Por Da Redação 4 dez 2011, 19h29

O partido Rússia Unida, do premiê Vladimir Putin, venceu as eleições legislativas deste domingo na Rússia, com 48,5% dos votos, mas deverá perder a maioria absoluta na Duma, a Câmara Baixa do Parlamento, segundo pesquisas de boca de urna. O Partido Comunista, principal legenda da oposição, obteve o segundo lugar com 19,8%, e continuará a ser a segunda força mais importante do país, de acordo com os resultados divulgados pelo canal de TV público Russia 1 após o fechamento das seções eleitorais.

Mesmo sem o resultado final – as parciais colocam o partido de Putin com 45% a 48% dos votos – já é possível afirmar que a vitória governista será menos expressiva do que a obtida no pleito de 2007, quando o Rússia Unida ganhou 338 das 450 cadeiras da Duma. Sem os dois terços dos duputados no Parlamento, a legenda perderá a maioria constitucional e terá que buscar apoio de outros partidos, destacou o presidente russo, Dimitri Medvedev.

Além da diminuição da influência do Rússia Unida, os resultados parciais mostram que pelo menos outros dois partidos, o social-democrata Rússia Justa e o nacionalista Partido Liberal Democrático, terão mais espaço no Parlamento ao alcançar 13% e 14% dos votos, respectivamente.

Os principais beneficiados pela queda de popularidade do partido de Putin, entretanto, são os comunistas, que quase duplicaram o percentual recebido nas últimas eleições (11,5%). “O partido (Rússia Unida) conseguiu um resultado digno, que corresponde com sua influência política. A correlação que teremos na Duma refletirá a correlação real de forças políticas no país”, declarou o presidente Medvedev.

Ele ressaltou que “50% da população apoia o partido” e qualificou o resultado obtido como “ótimo”, assim como o atual primeiro-ministro, Vladimir Putin, candidato à Presidência em 2012. “O Rússia Unida se mantém como principal força política da Rússia”, declarou Putin. “É um ótimo resultado, que reflete a situação real do país. Este resultado nos permitirá garantir um desenvolvimento estável ao nosso Estado”, completou.

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Crise – Segundo Boris Grizlov, presidente do Conselho Supremo do partido governista, a expressiva queda de popularidade sofrida por sua formação pode estar relacionada com a própria crise europeia. Ao proclamar a vitória de seu partido pouco depois do encerramento dos colégios eleitorais, Grizlov destacou que a legenda “seguirá sendo o partido governante”, enquanto em vários países da Europa a crise provocou a derrota eleitoral dos partidos que estavam no governo.

“Apesar da crise econômica mundial, recebemos o apoio do eleitorado, enquanto no Reino Unido, Espanha e Portugal, as eleições de 2010-2011 mudaram os partidos governantes. Nós já podemos dizer que o Rússia Unida seguirá sendo (o partido) governante”, afirmou Grizlov.

Infrações – Tanto o partido governista quanto os opositores denunciaram uma série de violações da lei eleitoral durante o dia de votação. Enquanto os governistas acusavam os opositores de fazer campanha no dia da eleição, os opositores denunciavam fraudes que poderiam ter beneficiado o partido dominante.

As eleições na Rússia também foram marcadas por diversos ataques virtuais, que deixaram inutilizados os sites da rádio Eco de Moscou e da ONG de observação eleitoral Golos, que denunciou mais de 5.300 irregularidades. Alexei Venediktov, diretor da Eco de Moscou, disse que o ataque contra a emissora é “uma clara tentativa de impedir a divulgação de informações sobre irregularidades nas eleições”.

(Com agências EFE e France-Presse)

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