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Bo Xilai é declarado culpado e pega prisão perpétua

Tribunal rejeitou os argumentos de defesa do ex-dirigente do PC chinês, protagonista do maior escândalo político do país nas últimas décadas

O Tribunal Intermediário de Jinan, no leste da China, declarou neste domingo o ex-dirigente do Partido Comunista chinês Bo Xilai, protagonista do maior escândalo político do país nas últimas décadas, culpado de todos os crimes de que era acusado. Ele foi condenado à prisão perpétua por recebimento de suborno, 15 anos de cadeia por corrupção (fraude com desvio de fundos) e sete anos por abuso de poder.

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Além disso, o político terá confiscadas suas propriedades pessoais. Segundo a corte, elas têm um valor de 20,5 milhões de iuanes (cerca de 3,3 milhões de dólares) juntas. Bo pode apelar da sentença – ele tem um prazo de dez dias, segundo a legislação chinesa.

Na audiência para divulgar o veredicto, o tribunal rejeitou os argumentos de defesa do ex-secretário-geral do Partido Comunista em Chongqing, uma das cinco maiores cidades da China – Bo alegava ter confessado originalmenteos delitos sob pressão, e que o testemunho de sua esposa, Gu Kailai, que o incriminou, era inaceitável porque ela sofre de desequilíbrio mental.

Político popular até a eclosão do escândalo, apontado como uma das figuras que poderia chegar aos mais altos cargos do Partido Comunista – chegou a ser membro do Politburo, instância só inferior em importância ao Comitê Permanente -, Bo Xilai viu seu destino começar a mudar em fevereiro do ano passado, quando Wang Lijun, vice-prefeito e ex-chefe de polícia de Chongqing, se refugiou em um consulado dos Estados Unidos e revelou crimes cometidos na cidade. Wang era o braço direito de Bo na sua campanha para coagir empresários e adversários políticos sob a bandeira do combate à corrupção.

Durante o julgamento realizado entre os dias 22 e 26 de agosto, Bo Xilai negou as acusações e criticou o encaminhamento do caso que usou como testemunhas seus dois algozes: sua mulher, Gu Kallai, condenada pelo assassinato do empresário britânico Neil Heywood em 2011, e seu ex-braço direito Wang Lijun.

Os promotores chineses disseram que Bo se recusou a assumir a culpa, mesmo tendo cometido crimes graves. Por isso, a promotoria apelou ao tribunal para impor sanções pesadas, argumentando que ele havia desmentido as declarações anteriores feitas durante a investigação. “Os crimes cometidos pelo réu são extremamente graves e ele se recusou a admitir a culpa. Não há base legal para a clemência”, declarou a acusação.

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(Com agência EFE)