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Bióloga brasileira desembarca no Brasil

Ana Paula Maciel segue para Porto Alegre e já se prepara para outra campanha

Por Da Redação 28 dez 2013, 10h40

A bióloga brasileira Ana Paula Maciel, detida na Rússia após protestar contra a exploração de petróleo, no Ártico, desembarcou neste sábado por volta das 7h00 no aeroporto de Guarulhos, em São Paulo, após doze horas de voo vindo de São Petersburgo. Na área de desembarque, ela falou rapidamente com a imprensa e afirmou estar aliviada e ressaltou que a anistia significa um perdão por um crime que não cometeu. Ana Paula e os outros ativistas foram beneficiados por uma anistia do governo russo na dia de Natal.

Ana Paula carregava uma faixa azul dizendo “Salve o Ártico” e um urso polar branco de pelúcia. Depois, por volta das 9h00, ela embarcou para Porto Alegre, cidade onde mora seus pais. Ela foi acompanhada do diretor executivo do Greenpeace Brasil, Fernando Rossetti e de outros membros da organização. De acordo com o jornal Zero Hora, o pai de Ana Paula, Jairo Maciel, estava no Aeroporto Internacional Salgado Filho, na capital gaúcha, esperando a filha. Ele vestia uma camiseta da campanha “Libertem a Ana Paula”, organizada pela ONG, e segurava um baleia orca de pelúcia – um presente para a filha.

Em Porto Alegre, Ana Paula se mostrou otimista: “Se o objetivo é mudar o mundo para as novas gerações, é preciso assumir riscos”, resumiu. “Se ficasse em casa vendo televisão, nada disso teria acontecido”, afirmou, referindo-se ao período que permaneceu naquele país. “Mas também nada disso”, completou, olhando para os 50 jornalistas que esperavam para entrevistá-la e mostrando-se satisfeita pela repercussão que a causa da proteção do Ártico ganhou.

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A bióloga ativista justificou o protesto no Ártico como uma necessidade global de enfrentar uma questão única. “As pessoas, às vezes, perguntam por que eu estava lá, tão longe. O Brasil também tem problemas, eu sei. Mas se o Ártico derreter, a Amazônia vira deserto”, afirmou. “O Ártico funciona como um refrigerador para o planeta”, destacou, indicando que todos dependem da manutenção do ecossistema.

Ana Paula disse ainda que o protesto não tinha como alvos a Rússia ou a petrolífera Gazprom, dona da plataforma, mas o sistema de exploração de petróleo, que é global. “Não precisamos de mais petróleo porque já há bastante energia de tecnologias renováveis”, afirmou. Ao mesmo tempo, a bióloga prometeu que ela e os parceiros seguirão na luta. “Vamos continuar incomodando as empresas de petróleo no mundo inteiro e até termos um santuário no Ártico.”

Segundo Ana Paula, a reação da Rússia ao protesto “foi extremamente exagerada” e no fim reverteu-se o país, dando visibilidade à causa da defesa do Ártico. “No final, cavaram um buraco e a única maneira de sair dele foi a anistia para perdoar um crime que não cometemos”, avaliou. A ativista afirmou que, mesmo sem informações, pôde perceber que a repercussão do caso e a pressão de outros países fez a Rússia recuar.

Ao jornal Zero Hora, o pai da bióloga disse que ela pretende embarcar em janeiro para a Nova Zelândia, para participar de uma campanha pela proteção das orcas. “Desde menina, Ana Paula pensa em proteger os animais”, disse o pai. “O momento é de emoção pela conquista da liberdade. A repercussão do caso é importante para manter a chama da causa acesa”, completou.

Histórico – Os 30 membros da tripulação do barco do Greenpeace Artic Sunrise foram presos pelas autoridades russas no fim de setembro após uma ação de protesto realizado em uma plataforma petroleira no Ártico que visava denunciar os riscos da exploração de hidrocarbonetos na região. Acusados em um primeiro momento de pirataria, um crime punido com até 15 anos de prisão, os militantes finalmente foram acusados de vandalismo, crime que prevê uma pena de até sete anos de prisão. (Continue lendo o texto)

Depois de um período de detenção em Murmansk, os membros da tripulação foram levados para São Petersburgo, onde acabaram recendo liberdade provisória antes de serem anistiados na semana passada, graças a uma lei do Parlamento russo, que está sendo interpretada como um esforço do presidente Vladimir Putin para melhorar a imagem do país no exterior antes da realização dos Jogos Olímpicos de Inverno, que vão ocorrer na cidade russa de Sochi, em fevereiro.

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