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Biden promete ‘reunir o mundo’ se Brasil não proteger a Amazônia

Em entrevista à Americas Quarterly, democrata disse ainda que, em caso de sua vitória, qualquer acordo comercial estará ligado à preservação ambiental

Por Julia Braun Atualizado em 18 mar 2021, 10h24 - Publicado em 2 nov 2020, 13h30

O candidato democrata à Presidência dos Estados Unidos Joe Biden afirmou em entrevista publicada em março que, caso eleito, sua administração “reunirá o mundo” para pressionar o governo de Jair Bolsonaro a proteger a Floresta Amazônia e garantir a preservação do meio ambiente. 

O presidente Bolsonaro deve saber que se o Brasil deixar de ser um guardião responsável da Floresta Amazônica, minha administração reunirá o mundo para garantir que o meio ambiente seja protegido”, afirmou Biden ao site da publicação independente Americas Quarterly. As perguntas foram enviadas e respondidas pela campanha do democrata em março. 

“Os incêndios que varreram a Amazônia no verão passado foram devastadores e provocaram uma ação global para interromper a destruição e apoiar o reflorestamento antes que seja tarde demais”, disse ainda Biden, ao ser questionado se os Estados Unidos deveriam tomar algum tipo de ação caso o Brasil falhe na proteção da floresta.

A publicação ainda perguntou ao democrata se sua administração seria favorável a acordos de livre-comércio com países latino-americanos, especialmente com o Brasil. O candidato afirmou que qualquer negociação de pacto deverá garantir a criação de empregos nos Estados Unidos, proteção dos trabalhadores americanos e levar em conta as preocupações com o meio ambiente.

“Nossos atuais acordos de livre comércio na América Latina – e globalmente – devem ser implementados de forma justa para que criem empregos e garantam a prosperidade para ambas as partes”, disse.

No final de outubro, Juan González, conselheiro para a América Latina do ex-vice-presidente durante seus anos na Casa Branca, já havia alertado nas redes sociais para a degradação das relações entre Brasil e Estados Unidos caso o democrata saia vitorioso das eleições presidenciais de 3 de novembro e o governo de Jair Bolsonaro deixe de cumprir com suas obrigações de resguardar o meio ambiente e os direitos humanos.

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“Qualquer pessoa, no Brasil ou em qualquer outro lugar, que pensa que pode promover um relacionamento ambicioso com os Estados Unidos enquanto ignora questões importantes como mudança climática, democracia e direitos humanos claramente não tem ouvido Joe Biden durante sua campanha”, escreveu González no Twitter.

Biden chegou ainda a falar em levantar 20 bilhões de dólares para “salvar” a Floresta Amazônica, proposta que Bolsonaro qualificou de “lamentável” e “desastrosa”.

As eleições americanas acontecem nesta terça-feira, 3. Por conta da pandemia, ao menos 92 milhões de pessoas já votaram pelo correio ou com antecedência. Segundo a média das últimas pesquisas eleitorais elaborada pelo site RealClearPolitics, Biden lidera as intenções de voto em nível nacional com 50,9%, contra 44,4% do atual presidente Donald Trump.

Durante seu governo, Jair Bolsonaro aprofundou as relações do Brasil com os Estados Unidos. Parte dessa campanha de reaproximação baseou-se na proximidade de ideias e ideologias defendidas pelos dois governos.

A análise das consequências para o Brasil no cenário de vitória de Biden perpassa duas trilhas, uma ideológica e a outra pragmática. No Planalto, cogita-se que as estrelas da direita na constelação ministerial — Ernesto Araújo, no Itamaraty, e Ricardo Salles, no Meio Ambiente — sairiam enfraquecidas.

O fato inexorável é que a derrota de Trump terá, sem dúvida, um impacto na maneira como Bolsonaro se comporta em suas relações com o Congresso, STF, mídia, contas de Twitter e partidos políticos. Até recentemente, com uma leve repaginada nos últimos meses, ele seguia a tática de confronto do colega americano. No caso de derrota desse modelo, e com a reeleição sempre em mente, é provável que ele tente erigir mais canais rumo ao centro.

“Independentemente das eleições, trabalhamos sempre para construir pontes com importantes interlocutores dos dois partidos”, disse a VEJA o embaixador brasileiro em Washington, Nestor Forster Jr.

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