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Biden inicia mudança de rumo na política dos EUA com a Arábia Saudita

Em ligação com o rei do país árabe, presidente americano pressionou pelo cumprimento dos direitos humanos e do Estado de direito

Por Julia Braun Atualizado em 26 fev 2021, 09h16 - Publicado em 26 fev 2021, 09h04

O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, conversou pela primeira vez desde que assumiu o cargo com o rei da Arábia Saudita, Salman bin Abdulaziz, nesta quinta-feira 26. Na ligação, o democrata reforçou a importância do cumprimentos do Estado de direito e dos direitos humanos universais, marcando o início de sua já anunciada mudança de rumo nas relações exteriores com o reino.

A conversa entre os líderes foi agendada para antes da publicação de um aguardado relatório da Agência Central de Inteligência (CIA) sobre o assassinato do jornalista saudita Jamal Khashoggi. Os documentos, que foram vazados à imprensa antes de sua divulgação oficial, confirmam o envolvimento do príncipe herdeiro saudita, Mohammed bin Salman, no crime.

Segundo a Casa Branca, o presidente americano ressaltou ao rei “a importância que os EUA dão aos direitos humanos” e destacou a recente libertação de vários ativistas no país, como a apoiadora dos direitos das mulheres Loujain al Hathloul. Os dois ainda conversaram “sobre os esforços para encerrar a guerra no Iêmen”, quando Biden reforçou o “compromisso dos EUA em ajudar a Arábia Saudita a defender seu território diante dos ataques de grupos alinhados com o Irã”.

Ambos recordaram o “caráter histórico” da aliança entre Riad e Washington, e Biden se comprometeu a “trabalhar para que a relação bilateral seja o mais forte e transparente possível”.

A figura do poderoso príncipe herdeiro e a aliança entre os dois países foi muito questionada nos EUA devido ao assassinato de Kashoggi, jornalista crítico ao governo saudita, em outubro de 2018, no consulado da Arábia Saudita em Istambul, na Turquia. Khashoggi foi assassinato por agentes sauditas procedentes de Riad, alguns próximos ao príncipe herdeiro, o que gerou repúdio internacional.

Na Arábia Saudita, oito indivíduos foram condenados pelo caso e cinco deles foram sentenciados à pena de morte. Posteriormente, essas sentenças foram comutadas por penas de 20 anos de prisão.

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Apesar de toda a repercussão negativa do caso, o ex-presidente Donald Trump manteve a aproximação histórica com a Arábia Saudita. O republicano chegou a elogiar Bin Salman em diversas ocasiões e vetou um projeto de lei aprovado pela Câmara dos Deputados para proibir a venda de armas americanas ao reino. O ex-mandatário ainda apoiou a invasão militar saudita no Iêmen.

Durante sua campanha à Presidência, Biden prometeu mudar os rumos da política externa desenvolvida por Trump e pressionar a Arábia Saudita em temas como direitos humanos. Já nos seus primeiros dias no cargo anunciou o fim do apoio dos EUA aos sauditas na guerra do Iêmen.

O democrata, porém, não parece disposto a acabar totalmente com os laços ou criticar abertamente o reino saudita na condição de presidente. Os sauditas devem continuar a ser os principais clientes da indústria militar americana. O país também é líder global no fornecimento de petróleo, e o governo americano ainda depende desse mercado.

Biden também leva em conta a cooperação contra o terrorismo e a segurança na região do Golfo Pérsico, em especial na contenção ao Irã, inimigo declarado dos sauditas. Nesta quinta, o governo americano bombardeou supostas posições de milícias pró-iranianas na Síria, no primeiro ataque ordenado pelo presidente desde que assumiu o cargo. O Pentágono disse que a ação é uma resposta aos recentes ataques contra as tropas da coalizão americana e internacional no Iraque

“A intenção do presidente, assim como a intenção deste governo, é de recalibrar nossos laços com a Arábia Saudita”, declarou a porta-voz da Casa Branca, Jen Psaki, antes do telefonema. “Mas também há outras áreas onde seguiremos trabalhando com a Arábia Saudita, dadas as ameaças que eles enfrentam na região”.

(Com EFE)

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