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Biden escolhe ex-diplomata que negociou acordo com Irã para comando da CIA

Caso seja confirmado, William J. Burns será primeiro diplomata de carreira a comandar a agência de inteligência americana

Por Da Redação Atualizado em 11 jan 2021, 12h54 - Publicado em 11 jan 2021, 12h38

O presidente eleito dos Estados Unidos, Joe Biden, indicou nesta segunda-feira, 11, o embaixador Willliam J. Burns, de 64 anos, para o cargo de diretor da CIA, a agência de inteligência americana.

Em nota, Biden garante que Burns compartilha com ele a convicção de que os serviços de inteligência devem ser “apolíticos” e que os servidores precisam ser vistos com “gratidão e respeito”. Segundo o democrata, os americanos “dormirão mais tranquilos” com Burns no comando da CIA.

Diplomata veterano com três décadas de experiência no serviço exterior, Burns foi embaixador na Rússia entre 2005 e 2008 e secretário de Estado adjunto – o terceiro maior cargo da pasta – entre 2011 e 2014. O nome de Burns também estava sendo considerado como possível secretário de Estado de Biden, dada sua longa experiência com o Irã.

Burns se aposentou como diplomata em 2014, após 33 anos de carreira, ao longo dos quais também foi embaixador na Jordânia e assessor especial de secretários de Estado como Warren Christopher e Madeleine Albright. O diplomata esteve envolvido nas negociações secretas que abriram o caminho para o acordo sobre o programa nuclear iraniano assinado em 2015 por Teerã, Rússia, China, Reino Unido, França, Alemanha e Estados Unidos.

“O fato de termos feito isso discretamente, ou secretamente, causou alguma polêmica”, disse Burns em uma entrevista em 2016. “Mas a realidade é que, após 35 anos sem manter contato diplomático entre os Estados Unidos e o Irã, havia muitas circunstâncias prévias, muitas desconfianças e muitas queixas”, defendeu

A indicação do presidente eleito se baseia na crença de que William J. Burns é um profissional íntegro que contribuirá com um método de trabalho e uma independência que a segurança nacional dos Estados Unidos exige, segundo comunicado da equipe de transição.

“Seja um ciberataque da Rússia, desafios da China ou ameaças terroristas, ele tem a experiência e as habilidades para comandar os esforços em todo o mundo para garantir que a CIA está bem posicionada para proteger o povo americano”, disse Biden.

Agora, o escolhido pelo presidente eleito precisa ser confirmado pelo Senado, onde os democratas tem uma ligeira maioria. Biden pediu para o senadores confirmaram sua equipe de segurança nacional o mais perto possível de sua posse, em 20 de janeiro. No entanto, discussões ligadas à invasão ao Capitólio e um possível impeachment do presidente Donald Trump podem atrasar o cronograma previsto.

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