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Biden diz que China enfrentará consequências por abuso de direitos humanos

Fala acontece uma semana depois de conversa por telefone com presidente chinês, na qual levantou questões sobre repressão política

Por Da Redação 17 fev 2021, 16h23

Em um evento televisionado sobre como a China está lidando com minorias muçulmanas na região de Xinjiang, o presidente dos Estados Unidos Joe Biden, afirmou na terça-feira, 15, que a o país asiático irá pagar o preço pelos seus abusos de direitos humanos. A fala se dá em meio às críticas internacionais ao presidente chinês, Xi Jinping, por acusações de manter a minoria Uigur em campos de internamento.

“Haverá repercussão para a China e ele sabe disse”, disse Biden sobre Xi quando perguntado sobre o problema durante o evento, transmitido pela rede CNN.

Segundo o presidente, os EUA irão reafirmar seu papel no cenário global de tomar a frente em assuntos relacionados aos direitos humanos, acrescentando que o país irá trabalhar com a comunidade internacional para fazer com que a China proteja os uigures.

“A China está tentando se tornar um líder mundial e, para tal, precisa estar disposta a conquistar a confiança dos outros países(…) Enquanto eles tiverem focados em atitudes que contrariem os direitos humanos, será difícil para eles conseguirem”, disse o democrata.

Na semana passada, os dois presidentes conversaram por telefone e Biden enfatizou a prioridade dos Estados Unidos de preservar a liberdade e a abertura da região do Indo-Pacífico, local de rivalidade estratégica entre os países.

De acordo com transcrições, ele ainda demonstrou preocupação sobre as práticas de comércio “coercitivas e injustas” de Pequim, além das questões envolvendo a repressão em Hong Kong, os campos em Xinjiang e as crescentes ações assertivas ao redor da Ásia, incluindo a respeito de Taiwan

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Segundo especialistas e organizações internacionais, mais de um milhão de uigures estão sendo mantidos em campos de reeducação política em Xinjiang. Pequim rejeita o termo “campos” e garante que são centros de treinamento vocacional, projetados para fornecer emprego para a população e manter o extremismo religioso sob controle.

Há muita expectativa sobre a posição do novo presidente americano em relação à China, devido aos múltiplos pontos de tensão que existem na relação entre as duas principais potências mundiais. E embora Biden tenha mostrado claramente sua disposição de se distanciar da política externa de Donald Trump, a China é uma das poucas questões onde ele poderia promover alguma continuidade em relação a seu antecessor.

Em entrevista transmitida no domingo 7 pela rede CBS, Biden alertou que a rivalidade entre China e Estados Unidos se transformará em “competição extrema”, ao mesmo tempo em que disse que quer evitar um “conflito” entre os dois países. Questionado sobre o presidente chinês, o democrata disse: “Ele não tem, e não quero dizer isso como uma crítica, mas é uma realidade, um único osso democrático em seu corpo.”

“Não vou fazer do jeito que (Donald) Trump fez. Vamos nos concentrar nas regras internacionais”, acrescentou, destacando conhecer bem Xi por ter tido longas conversas privadas com ele quando foi vice-presidente de Barack Obama entre 2009 e 2017.

O ex-presidente Donald Trump impôs sanções às autoridades chinesas e empresas de sua administração ligadas aos abusos em Xinjiang, enquanto Biden, que tomou posse em 20 de janeiro, deixou claro que planeja continuar abordando firmemente Pequim sobre essas questões.

No início do mês, o Departamento de Estado americano disse estar “profundamente perturbado” com uma matéria da BBC que denunciava os casos sistemáticos de estupros e abusos sexuais contra mulheres dos uigures e outras minorias muçulmanas na região de Xinjiang. A China negou as acusações de abusos no território e disse que a matéria era “totalmente sem base factual”.

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