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Bernie Sanders: uma alegria passageira

As pesquisas sugerem que as ondas das próximas primárias, em estados mais conservadores, interromperão o surfe vitorioso do senador

Por Ernesto Neves - Atualizado em 14 fev 2020, 10h10 - Publicado em 14 fev 2020, 06h00

Um socialista na Casa Branca? Calma. Mas foi com essa sensação que os fãs do senador Bernie Sanders comemoraram sua vitória nas primárias de New Hampshire, o segundo passo do longo processo de definição do candidato democrata para a eleição de 3 de novembro. Sanders, 78 anos, teve 25,9% dos votos. Pete Buttigieg, 38, ex-prefeito de South Bend, em Indiana, alcançou 24,4%. O mais velho e o mais novo entre os contendores também quase empataram na etapa inaugural da escolha, em Iowa, com ligeiríssima vantagem para o novato. New Hampshire fica colado em Vermont, o estado de Sanders, e com ele compartilha uma população de tendência libertária e apreço pelo alternativo, sob medida para votar no senador. Isso não embaça a façanha de Sanders, que despontou com força entre os pré-candidatos — ainda mais se comparado a Joe Biden, o preferido do establishment, que amargou um quinto lugar. No entanto, as pesquisas sugerem que as ondas das próximas primárias, em estados mais conservadores, interromperão o surfe vitorioso de Sanders. O Partido Democrata está rachado entre esquerda e centro, e cada um desses dois grupos está fracionado em diversos nomes. Somando-se todas as intenções de voto, porém, os centristas levam vantagem sobre os esquerdistas. E, na plataforma democrata deste ano, propostas e manifestos cederam espaço à questão crucial: quem tem cacife para derrotar Trump? Até onde se pode prever, Bernie, o bom velhinho, não tem. E quem tem? Talvez Michael Bloomberg, ex-prefeito de Nova York, que corre por fora e vem crescendo.

Publicado em VEJA de 19 de fevereiro de 2020, edição nº 2674

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