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Berlusconi pede troca dos juízes do caso do empresário Mills

Roma, 27 jan (EFE).- Os advogados do ex-primeiro-ministro da Itália, Silvio Berlusconi, solicitaram ao Tribunal de Apelação de Milão a troca dos juízes do caso do empresário Mills, no qual é acusado de corrupção em ato judicial, informaram nesta sexta-feira os meios de comunicação locais.

O pedido de Berlusconi acontece depois que os magistrados decidiram prescindir de várias testemunhas da defesa e do calendário de audiências estabelecido pela corte, com o qual não estão de acordo os advogados do empresário.

Além disso, a defesa de Berlusconi sustenta que o delito pelo qual é acusado o ex-primeiro-ministro prescreve antes da data estabelecida pelos magistrados para a sentença, o próximo dia 11 de fevereiro.

O caso Mills se refere ao suposto pagamento de US$ 600 mil por parte de Berlusconi a seu ex-advogado, o britânico David Mills, para que este falsificasse a seu favor seu testemunho em dois julgamentos no final dos anos 1990, permitindo que o líder fosse absolvido.

Berlusconi garantiu que não lembra de ter conhecido Mills porque era um dos muitos advogados que o grupo Fininvest (de sua propriedade) tinha no exterior e que os US$ 600 mil correspondem ao pagamento em dinheiro sujo ao letrado por parte do armador italiano Diego Attanasio para driblar o fisco britânico.

O próprio Mills declarou em várias ocasiões durante o julgamento contra Berlusconi que inventou a história sobre o dinheiro que supostamente recebeu do ex-primeiro-ministro e se justificou dizendo que fez isso porque temia o fisco britânico.

No entanto, Attanasio, também convocado a depor durante o julgamento, negou todos os argumentos da defesa de Berlusconi e afirmou que o dinheiro que recebeu Mills não era seu.

Contudo, Mills foi condenado em primeira e segunda instância por favorecer Berlusconi nesses dois processos, embora o Supremo italiano tenha decretado no dia 25 de fevereiro de 2010 a prescrição do delito.

O caso Mills é um dos três julgamentos que Berlusconi tem abertos em Milão, junto ao caso Ruby (incitação à prostituição de menores e abuso de poder) e Mediaset (fraude fiscal), e que se somam à audiência preliminar do caso Unipol (participação na revelação de segredo profissional). EFE