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Berlusconi enfrenta mais uma votação sobre cassação do seu mandato

Bilionário que vem sofrendo onda de derrotas políticas pode ficar sem cadeira no Senado

Por Da Redação - 4 out 2013, 08h52

O ex-primeiro-ministro Silvio Berlusconi enfrenta nesta sexta-feira mais uma etapa do processo que pode lhe custar sua cadeira no Senado. Durante a manhã, a Casa decide se uma lei da “ficha limpa” italiana aprovada em 2012, que determina a perda automática no caso de condenações definitivas superiores a dois anos, se aplica a Il Cavaliere- que já serviu como primeiro-ministro em três ocasiões e tem sido uma figura polarizadora da política italiana nos últimos vinte anos.

Os procedimentos começaram por volta de 9h30 no horário de Brasília. Berlusconi não compareceu. Em comunicado, ele disse que estava sendo vítima de um processo político. “Não há possibilidade de nenhuma defesa e não há razão para aparecer ante um grupo que já anunciou qual decisão irá tomar através da imprensa”, afirmou.

Caso perca a votação na comissão, Berlusconi vai acumular mais um derrota nesta semana, Na quarta-feira, fracassou a tentativa de derrubar o governo do primeiro-ministro Enrico Letta, que sobreviveu após o bilionário enfrentar uma rebelião de membros influentes do seu próprio partido, o Povo da Liberdade (PdL). Eles foram contra a dissolução da coalizão que governa o país.

O pedido de cassação de Berlusconi se baseia numa condenação a quatro anos de cadeia por fraude fiscal em um caso relacionado ao seu império de empresas de comunicação. A condenação saiu em outubro de 2012 e foi confirmada neste ano. A pena foi posteriormente reduzida para um ano por causa da idade do bilionário, 77 anos, e consequentemente comutada para a prestação de serviços comunitários ou prisão domiciliar. Essa foi a primeira condenação definitiva de Berlusconi, um notório colecionador de processos na Justiça que se notabilizou por usar o cargo de primeiro-ministro para aprovar leis que o permitissem escapar da Justiça. Caso seja aprovado pela comissão de 23 membros, que é dominada por seus adversários, a cassação de Berlusconi ainda terá que ser votada pelo plenário.

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Berlusconi tem repetido que a lei da “ficha limpa” italiana não deveria ser aplicada a ele, já que os crimes que resultaram na sua condenação ocorreram antes da aprovação da nova legislação. Na semana passada, quando um comitê fez uma reunião para decidir se o assunto deveria ser ou não levado à plenário, Berlusconi aproveitou e foi à televisão fazer mais um discurso melodramático em que se pintou como uma vítima de juízes e promotores ambiciosos.

Como as palavras não bastaram e o comitê aprovou o prosseguimento do processo de cassação, Berlusconi resolveu partir para a ação: derrubar o governo de Enrico Letta, a quem ele responsabilizou por seus problemas legais. No último sábado, Berlusconi pediu que cinco membros do PdL que serviam como ministros entregassem seus cargos, como forma de esvaziar a coalizão. Letta foi obrigado a pedir uma convocação para que o Senado discutisse um voto de confiança no governo, como forma de descobrir o que havia sobrado de apoio. Nas horas seguintes, Berlusconi pediu para que seus aliados votassem contra o governo.

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Mas nada funcionou como Il Cavaliere planejou: dezenas de senadores e deputados do PdL se rebelaram e afirmaram publicamente que eram contra a dissolução do governo. Letta também não aceitou a renúncia dos ministros. Até mesmo Angelino Alfano, vice-primeiro-ministro considerado herdeiro político do bilionário, reprovou publicamente seu padrinho. Na quarta-feira, Berlusconi admitiu a derrota ao tentar salvar as aparências em discurso no Senado em que pediu para que seu partido apoiasse o governo no voto de confiança. No final, a coalizão sobreviveu com 235 votos a favor do total de 321.

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