Group 21 Copy 4 Created with Sketch.

Berlusconi enfrenta a ‘crise do lixo’ em Nápoles

População vai às ruas protestar contra a inauguração de mais um lixão

Premiê pedirá “uma solução drástica perante uma situação preocupante e que saiu de controle”, segundo a imprensa local

O primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi, convocará nesta sexta-feira uma reunião de emergência para enfrentar o problema do lixo em Nápoles, no sul do país, após dias de violentos confrontos entre agentes de segurança e manifestantes. A população não aceita a decisão do governo de inaugurar mais um lixão, no Parque Nacional do Vesúvio. Com capacidade para 3 milhões de toneladas de resíduos, o depósito seria o maior da Europa.

Os moradores se opõem à nova construção e denunciam que um lixão já existente no local não tem condições ideais de isolamento, causa problemas à saúde e provoca odores que os obrigam a manter as janelas das casas fechadas o ano todo. Como forma de protesto, barricadas de lixo foram erguidas nas ruas e carros estão sendo incendiados. A polícia respondeu aos ataques com bombas de gás lacrimogêneo e cinco pessoas foram presas.

Em resposta, segundo a imprensa local, Berlusconi pedirá “uma solução drástica perante uma situação preocupante e que saiu de controle”. Além dos confrontos, a principal consequência do impasse é o acúmulo de lixo nas ruas de Nápoles, já que a circulação dos caminhões está prejudicada. Nas cidades de Terzigno e Boscoreale, veículos de recolhimento foram apedrejados quando tentavam deixar o local.

Resistência – Apesar de toda a pressão, o governo italiano não deve recuar, pois acusa os manifestantes de receberem dinheiro da Camorra – a máfia napolitana que há cerca de 20 anos controla o transporte e o depósito de lixo na região. Os protestantes, por sua vez, dizem que a Camorra está do lado do governo e quer o funcionamento do lixão. O presidente da região da Campânia, Stefano Caldoro, afirmou ao jornal Repubblica que o segundo aterro será feito conforme o previsto. “Mas será seguro, moderno e sem riscos para os habitantes”, destacou.

A coleta de lixo é um problema crônico em Nápoles. Em 1994, foi decretado estado emergência em virtude do acúmulo de resíduos pelas ruas de várias cidades. A situação se normalizou e, em 2008, a população foi obrigada a queimar quase 250.000 toneladas de lixo jogadas nas ruas porque os aterros estavam superlotados. Na ocasião, o Exército foi chamado para conter os protestos.

(Com agências Efe, France-Presse e Reuters)