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Bergoglio não estava cotado em razão da idade, diz especialista

Previsão era que o novo pontífice seria mais novo, devido ao motivo alegado por Bento XVI para renunciar ao papado. O argentino Bergoglio tem 76 anos

Por Cecília Araújo 14 mar 2013, 06h03

Das inúmeras listas divulgadas pela imprensa internacional com os papáveis mais cotados, o nome do argentino Jorge Mario Bergoglio não aparecia com destaque. A razão seria sua idade. Aos 76 anos, ele foi eleito papa em um conclave que tinha a expectativa de eleger um pontífice mais jovem, principalmente depois que Bento XVI alegou falta de vigor físico ao renunciar ao pontificado. Em entrevista ao site de VEJA, o professor americano William Cook, da Universidade do Estado de Nova York, disse que, se não fosse pela idade, o argentino estaria no topo da lista. “As pessoas assumiram que, após quase duas décadas com papas eleitos com idade entre 70 e 80 anos, nós teríamos um papa mais jovem. Um cardeal chegou a dizer que a idade perfeita seria 63 anos. A eleição de Bergoglio foi uma surpresa”.

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O professor lembra que Bergoglio esteve entre os mais cotados em 2005, ano em que Joseph Ratzinger foi eleito. Na época, o argentino tinha 68 anos. “Em 2005, ele era claramente o candidato daqueles que se opunham a Ratzinger e procuravam, em vez de continuidade, uma nova expressão da fé depois de 27 anos de João Paulo II”, explica.

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Quanto ao estilo de liderança da Igreja Católica, o governo de Francisco deve ser bem distinto do de Bento XVI, marcado por seu estilo elegante e germânico. O argentino, que cozinha sua própria comida e utiliza transporte público para chegar ao trabalho, deve adotar uma forma de vida mais simples, mesmo no papado. “Ele parece ser, de todas as formas, um homem muito simples, e as pessoas acho que já viram isso. A primeira coisa que Bergoglio pediu foi a benção dos fiéis. É um gesto bonito e, de certa forma simbólica”.

O especialista destaca o fato de Francisco ser um pastor. “Ele foi arcebispo de Buenos Aires por um longo tempo e é muito importante ter um pastor no papado”, diz. “João Paulo II foi um papa incrível porque entendia sua responsabilidade como pastor e, obviamente, o cardeal Ratzinger tinha pouca experiência pastoral. Então, foi mais difícil para ele ser um papa efetivo”.

No Brasil – Sobre a nova evangelização, Cook acredita que o novo papa terá de “mostrar que o cristianismo e o catolicismo, em particular, são relevantes para as vidas de todas as pessoas, não somente a vida dos avós, mas também dos netos”. Uma boa chance de se ter uma ideia de como ele irá comandar essa tarefa será sua participação na Jornada Mundial da Juventude, no Rio de Janeiro, em julho. “Ele vai voltar para a América do Sul e estará com milhões de católicos de todo o mundo. Será interessante ver o quão bem ele vai se conectar com eles. Será o lugar para o qual temos que olhar para perceber se conseguirá um bom começo para a nova evangelização”.

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