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Bento XVI encobriu casos de pedofilia quando era arcebispo, diz relatório

Em um dos casos citados em investigação, papa emérito teria aceitado em sua arquidiocese um padre condenado por abuso sexual

Por Da Redação Atualizado em 20 jan 2022, 10h24 - Publicado em 20 jan 2022, 10h17

Um relatório independente publicado nesta quinta-feira, 20, afirma que o papa emérito Bento XVI encobriu casos de abusos sexuais contra crianças quando era arcebispo em Munique, entre os anos de 1977 e 1982. Segundo os autores da investigação, feita pelo escritório de advocacia alemão WSW a pedido da Igreja Católica, Joseph Ratzinger não teria impedido que um padre abusasse de quatro meninos.

“Ele foi informado dos fatos”, disse o advogado Martin Pusch, de acordo com a rede CNN. “Acreditamos que ele possa ser acusado de conduta irregular em quatro casos (…) Dois desses casos dizem respeito a abusos cometidos durante sua gestão e sancionados pelo Estado. Em ambos os casos, os perpetradores seguiram ativos no cuidado pastoral”.

Em sua investigação mais ampla sobre alegações de abusos na Arquidiocese de Munique entre 1945 e 2019, o escritório de advocacia diz que houve ao menos 497 vítimas, principalmente jovens.

Em um dos casos citados no relatório, o papa emérito teria aceitado um padre em sua arquidiocese, mesmo após ele ter sido condenado por abuso sexual.

Segundo Pusch, Bento XVI afirmou não ter conhecido direto dos casos, mas as negações “não eram conciliáveis com os arquivos em evidência”. De acordo com o escritório de advocacia, o papa enviou um documento de mais de 80 páginas com respostas e informações sobre a investigação. 

No início deste mês, um documento interno da Igreja Católica publicado pelo jornal alemão Die Zeit já havia sugerido que o papa emérito teria acobertado casos de abusos contra menores na década de 1980. Bento XVI nega conhecimento dos crimes à época.

O caso envolve um padre que teria abusado de ao menos 23 meninos com idades entre 8 e 16 anos. Um decreto da arquidiocese de Munique, publicado em 2016 e ao qual o jornal alemão teve acesso, mostra que a instituição criticou o comportamento dos clérigos, incluindo a inação de Ratzinger, diante dos abusos.

Bento XVI se tornou em 2013 o primeiro papa a renunciar em quase 600 anos e vem, desde então, mantendo uma vida privada no Vaticano. Em 2020, um jornal alemão revelou que ele estava em uma situação “extremamente frágil” e sofria com uma doença infecciosa no rosto. 

Reportagem de VEJA de junho de 2018 revelou que Bento sofre de Parkinson e já sentia os sinais da doença quando renunciou. Segundo o arcebispo George Gänswein, um dos assistentes mais próximos do papa emérito, a rotina de Bento nos últimos anos consiste principalmente em ler e responder as centenas de cartas que recebe de fiéis. Além disso, também passa boa parte de seu tempo orando.

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