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Bento XVI conclui visita à Alemanha pedindo unidade dos católicos

Por Daniel Roland 25 set 2011, 11h57

O Papa Bento XVI pediu neste domingo aos católicos alemães que se mantenham unidos e encontrem novos meios de convencer os fieis que se afastaram da Igreja que voltem para seu seio, no último dia de sua visita à Alemanha que decepcionou muito as pessoas que esperavam por reformas por parte do sumo pontífice.

Do Bundestag (parlamento alemão em Berlim) ao claustro de Martinho Lutero em Erfurt, as reflexões do Papa sobre a “crise da fé” e suas críticas sobre a falta de fervor na Igreja foram, no entanto, ouvidas.

Neste domingo, o Papa celebrou uma missa no aeroporto de Freiburg, que reuniu, segundo os organizadores, 100.000 pessoas, chegadas das vizinhas Suíça e França.

Bento XVI chegou a bordo de seu papamóvel e percorreu o terminal aérea saudando a multidão e beijando as crianças que os sacerdotes aproximavam dele através da janela.

A homilia nesta cidade muito católica estava provavelmente dirigida – ainda que não tenha sido mencionado – aos 150 católicos rebeldes e outros grupos como “Wir sind Kirche” (Somos a Igreja) ou a rede ecumênica “Die Kirche von Unten” (A Igreja de baixo) que ameaçam separar-se das estruturas da Igreja católica.

“A Igreja na Alemanha superará os grandes desafios do presente e do futuro e seguirá sendo um fator de coesão na sociedade se os sacerdotes, as pessoas consagradas e os laicos crentes em Cristo colaborarem para a unidade”, afirmou.

“A Igreja será concreta se as paróquias, as comunidades e os movimentos se apoiarem e enriquecerem mutuamente, se os batizados e os confirmados, junto aos bispos, mantiveram elevada a chama de uma fé inalterada e deixarem que ela ilumine os conhecimentos e as capacidades”.

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O Papa teme uma evolução da Igreja para o modelo protestante, onde cada qual decide no que crê ou não crê.

Bento XVI denunciou, além disso, o excesso de debates: “O que conta não são as palavras e sim as ações”. Recomendou à Igreja “permanecer fielmente unida em torno dos sucessores de São Pedro e os apóstolos (o Papa e os bispos) e a deixar-se rejuvenescer “pela alegria das Igrejas jovens” dos países do Sul recentemente cristianizados.

Na véspera, o sumo pontífice, que conclui neste domingo uma visita de 4 dias a sua Alemanha natal, que conta com 24,6 milhões de fieis, alertou que se a Igreja não atrai mais pessoas para seu seio é porque está muito confortavelmente instalada e sem inspiração espiritual.

Ao longo de sua visita, que o levou a Berlim e Erfurt, na ex-Alemanha Oriental, e depois a Friburgo, reduto do catolicismo, o Papa, que parecia cansado, convidou reiteradamente a Igreja a dar mostras de fervor e convicção neste país marcado pelo secularismo.

Milhares de católicos alemães abandonaram recentemente a Igreja por causa da série de escândalos de pedofilia envolvendo padres.

Como já fez em outras viagens, Bento XVI se reuniu na sexta-feira em Erfurt com cinco vítimas de abusos sexuais cometidos por sacerdotes.

Apesar de não ter havido protestos de grande envergadura, como os organizados em Madri em agosto passado, o entusiasmo do público alemão também foi comedido. Quem esperava por reformas – sacerdotes casados ou de sexo feminino ou homossexual – também ficou muito insatisfeito com a presença de Bento XVI.

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