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Bayrou anuncia que votará em Hollande mas libera militância

Paris, 3 mai (EFE).- O candidato de centro François Bayrou, que obteve 9,13% dos votos no primeiro turno das eleições presidenciais francesas, anunciou nesta quinta-feira que votará no socialista François Hollande neste domingo, mas não indicou nenhuma orientação para seus eleitores.

Bayrou, que no passado fez parte de governos conservadores, justificou a decisão pela guinada em direção à extrema-direita do atual presidente e candidato à reeleição, Nicolas Sarkozy.

O político centrista, que obteve 3,2 milhões de votos no primeiro turno, realizado em 22 de abril, afirmou que as ideias defendidas por Sarkozy não correspondem as do seu partido.

‘A obsessão pela imigração pode causar enfrentamentos entre os franceses’, disse o político, que criticou também ‘a obsessão pelas fronteiras, o que significa a negação do projeto europeu que o centro e a direita moderada contribuíram para construir’.

Bayrou afirmou que o pensamento de ‘Sarkozy é violento e entra em contradição’ com seus valores e de sua corrente política.

Esta é a primeira vez que Bayrou se declarou a favor de um candidato da esquerda, embora o político centrista tenha dito há cinco anos que não votaria em Sarkozy, mas sem mencionar se optaria por seu rival na ocasião, o socialista Ségolène Royal.

‘Não me transformarei num homem de esquerda. Sou de centro e quero seguir sendo’, frisou.

O deputado afirmou que no momento atual que atravessa a França não poderia votar em branco pois isto seria escolher pela ‘indecisão’. Por isso, Bayrou disse que votaria em Hollande, apesar das divergências entre os dois, principalmente em relação ao programa econômico de seus partidos.

‘É inadaptado para a situação do país e mais ainda em tempos de crise’, defendeu Bayrou, que critica as despesas que o socialista assumirá caso for eleito.

Bayrou disse que se for vencedor, Hollande deverá ‘reunir todos os homens e mulheres do país num governo de união nacional’, que inclua personalidades de todas as tendências políticas para ‘reconstruir o país’. EFE