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Battisti é transferido para prisão de segurança máxima na Sardenha

Terrorista italiano que passou 14 anos no Brasil, dos quais quatro preso, ficará em isolamento por seis meses

Por Da Redação Atualizado em 14 jan 2019, 17h16 - Publicado em 14 jan 2019, 16h28

Por razões de segurança, o governo da Itália transferiu o terrorista Cesari Battisti de Roma para o Presídio de Massama, em Oristano, na ilha da Sardenha, onde ele cumprirá prisão perpétua, informou nesta segunda-feira, 14, o ministro de Justiça, Alfonso Bonafede. A transferência envolveu uma operação cinematográfica da polícia penitenciária e demais forças de segurança italianas.

Battisti ficará submetido a isolamento nos seus primeiros seis meses de prisão, na ala de segurança máxima As2, reservada a terroristas, segundo o jornal La Nuova Sardegna. Inicialmente, as autoridades haviam lhe reservado cela na penitenciária de Rebibbia, em Roma.

“Hoje é um momento importante para o povo italiano, particularmente para as famílias das vítimas de Cesare Battisti”, afirmou Bonafede.

  • O ex-ativista do grupo Proletários Armados pelo Comunismo foi preso no sábado 12 em Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia. Battisti fora condenado à revelia no início dos anos 1990 pela Justiça da Itália por dois homicídios e pela organização de atos terroristas que causaram a morte de outras duas pessoas. Ambos os crimes ocorreram nos anos 1970, quando era militante do grupo terrorista de extrema esquerda.

    Segundo o jornal La Nuova Sardegna, Battisti contratou um novo advogado para defendê-lo na Itália, Davide Steccanella, criminalista de Milão e autor do livro Gli Anni Della Llota Armata (Os anos da luta armada, em tradução livre).

    Na época de sua condenação, ele vivia na França. Em 2004, Battisti decidiu mudar-se para o Brasil. Três anos depois, foi preso em uma operação conjunta da Polícia Federal com agentes italianos e enviado para a Penitenciária da Papuda, no Distrito Federal. Ali foi mantido até o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva negar o pedido de extradição enviado pela Itália, em 31 de dezembro de 2010, o último dia de seu mandato. Battisti foi libertado em 2011.

    A sorte de Battisti novamente virou em dezembro passado, quando o Supremo Tribunal Federal (STF) ordenou sua prisão e o então presidente Michel Temer concedeu a extradição. O italiano, porém, já havia fugido para a Bolívia. Em 2015, ele já tentara escapar para território boliviano, o que lhe valera processos por lavagem de dinheiro.

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