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Battisti anuncia no Fórum Social Mundial livro sobre sua passagem pela prisão

Porto Alegre, 24 jan (EFE).- O ex-ativista italiano Cesare Battisti anunciou nesta terça-feira no Fórum Social Mundial que publicará um romance sobre o tempo que passou preso enquanto as autoridades brasileiras decidiam se lhe extraditavam ou concediam asilo político.

O livro, cujo título é ‘Ao pé do muro’, será publicado simultaneamente na França e no Brasil no próximo mês de março, segundo disse Battisti a jornalistas durante o evento realizado em Porto Alegre.

Battisti esteve preso em Brasília entre março de 2007 e junho de 2011 enquanto as autoridades estudavam a possibilidade de extraditá-lo à Itália onde foi condenado à prisão perpétua em 1993 por quatro assassinatos cometidos nos anos 1970, quando militava em um grupo armado comunista.

O ex-ativista foi posto em liberdade depois que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva lhe concedeu o status de refugiado político, contrariando uma sentença do Supremo Tribunal Federal.

A decisão de Lula causou uma crise diplomática com a Itália, que chamou para consultas seu embaixador em Brasília em sinal de protesto.

O italiano de 57 anos evitou hoje dar declarações políticas porque sua condição de refugiado político não o permite, mas agradeceu a Lula por decretar sua liberdade.

Também durante o Fórum Social Mundial, o ex-ministro da Justiça, Tarso Genro, que aprovou a concessão do refúgio político a Battisti, defendeu hoje a posição do Governo na época.

Genro, atual governador do Rio Grande do Sul, disse a jornalistas que o caso de Battisti teve ‘notoriedade’ porque ‘houve colunistas que falsificaram a realidade e fizeram eco de um Governo mafioso’, em aparente alusão ao Executivo presidido por Silvio Berlusconi.

Battisti fugiu da Itália nos anos 1980 e se escondeu na França e no México, enquanto foi julgado à revelia em seu país em 1993.

Quando Paris ventilava a possibilidade de retirar-lhe a condição de exilado político, Battisti se instalou no Rio de Janeiro, onde foi detido em março de 2007. EFE