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Barack Obama é reeleito presidente dos Estados Unidos

Com um desempenho impecável nos estados-chave, o candidato democrata conseguiu uma vitória folgada sobre o rival Mitt Romney no colégio eleitoral

Barack Obama foi reeleito para a Presidência dos Estados Unidos no início da madrugada desta quarta-feira, vencendo o republicano Mitt Romney após uma dura e acirrada campanha eleitoral, e garantindo mais quatro anos à frente da Casa Branca.

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Para voltar a ganhar a confiança dos eleitores americanos, Obama precisou superar o momento ruim da economia, as altas taxas de desemprego e até uma inesperada crise internacional já na reta final da disputa. Mais do que isso, enfrentou um adversário duro, que questionou suas decisões nos últimos quatro anos e chegou a ameaçar uma virada de jogo após o primeiro debate entre os candidatos na televisão.

Como funcionam as eleições

Nos Estados Unidos, a votação para presidente é indireta, feita por 538 delegados. Eles são divididos entre os 50 estados americanos mais o distrito federal de acordo com sua população e seu número de deputados federais. O vencedor não é aquele que receber o maior número de votos dos eleitores, mas aquele que atingir a cota mínima de 270 delegados estaduais. Quanto mais populoso é um estado, mais deputados ele tem e mais peso possui na eleição. O candidato escolhido na Califórnia, por exemplo, leva todos os votos do colégio eleitoral do estado. Dessa forma, os partidos são obrigados a construir uma campanha nacional consistente, mesmo em lugares com menor número de eleitores.

O equilíbrio da corrida, no entanto, se foi confirmado por estreitas margens nas urnas, não se refletiu na disputa pelos votos do colégio eleitoral que elege o presidente americano (leia mais no quadro ao lado). Embora a apuração ainda não esteja totalmente finalizada, o que se ensaia é uma vitória folgada de Barack Obama sobre Mitt Romney no colégio e um triunfo também no voto popular.

Por enquanto, o placar das eleições americanas aponta o democrata com 303 votos do colégio eleitoral, contra 206 de Romney. Obama garantiu a vitória e mais quatro anos no governo ao conquistar um desempenho quase impecável nos chamados estados-chave – onde não há tradicionalmente predominância de nenhum dos partidos e as disputas mais acirradas e decisivas acontecem.

Galeria: As imagens da vitória de Obama e da campanha eleitoral americana

Dos oito estados em que não havia um ganhador claro antes da eleição, o atual presidente venceu em sete até o momento – Iowa, Wisconsin, Colorado, Nevada, Virgínia, New Hampshire e Ohio. A vitória de Obama nas áreas estratégicas foi tão consistente que tornou irrelevante o resultado do estado-chave onde a disputa foi mais acirrada, a Flórida – no qual Obama, com 97% dos votos apurados, também vai vencendo o rival por uma pequena margem.

Adiante – Barack Obama faz o discurso da vitória em centro de convenções de Chicago, cidade em que construiu sua carreira profissional e que o projetou politicamente. O presidente começou lembrando a história da democracia americana, há 200 anos, e disse que, com sua eleição, “o país decidiu mover-se adiante” graças aos eleitores.

“Precisamos seguir adiante”, afirmou o presidente, reproduzindo seu slogan de campanha. Garantindo estar “mais determinado e inspirado do que nunca”, Obama prometeu levar em frente projetos não concretizados no primeiro mandato, como a reforma migratória. E, claro, se comprometeu em prosseguir com a recuperação da economia, até agora lenta e pouco convincente.

Após agradecer ao rival Mitt Romney e dizer que pretende se sentar com ele nos próximos dias “para discutir como levar o país para frente”, Obama arrancou aplausos empolgados do público ao afirmar: “Nunca estive tão esperançoso com a América”.

Ele também destacou o fato dos Estados Unidos precisar garantir oportunidades para todos, “homens, mulheres, negros, brancos, heterossexuais e gays”. No final do discurso, pregou união e esperança em um futuro melhor. “Podemos alcançar esse futuro juntos, somos mais do que uma coleção de estados vermelhos ou azuis”, disse em referência às divisões eleitorais no país. “Não somos tão divididos quanto nossa política sugere. Somos e sempre seremos os Estados Unidos da América”, finalizou.

Derrota – Cerca de uma hora depois da vitória democrata ser projetada, Romney reconheceu a derrota na eleição presidencial e discursou diante de partidários em Boston, capital de Massachusetts, estado que governou de 2003 a 2007.

“Eu gostaria muito que tivesse sido capaz de corresponder suas esperanças de liderar este país em uma direção diferente. Mas a nação escolheu outro líder”, declarou. “Esse é um momento de grandes desafios para a América, e eu rezo para que o presidente tenha sucesso ao guiar nossa nação”, disse Romney após telefonar para Obama para parabenizá-lo.

Romney agradeceu a todos os que ajudaram durante a disputa eleitoral: “Nós demos tudo nesta campanha”. O republicano elogiou especialmente o seu candidato a vice, Paul Ryan, e sua mulher, Ann, considerada o grande apoio emocional do candidato durante os meses de campanha. “Ela teria sido uma primeira-dama maravilhosa”, lamentou ele.

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Leia mais na coluna De Nova York, por Caio Blinder:

“Eu estou aliviado com a derrota de Mitt Romney, mas não entusiasmado com a vitória de Barack Obama. Romney concorreu a gerente dos EUA e não a presidente. Barack Obama se mostrou um sobrevivente e um político de talento eleitoral”